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Achismo e Desinteresse

É comum a existência de opiniões pessoais, completamente desprovidas de qualquer fundamento. O que alguém possa achar ou pensar não irá alterar ou modificar os acontecimentos ou o cumprimento real daquilo que está determinado e que constitui a realidade ou a verdade.

É necessário que as pessoas estudem diligentemente e pesquisem a origem e causa de suas convicções, a ver se porventura não aconteça que a verdade não seja exatamente como elas supõem ou esperam. Não é por causa da convicção de quem quer que seja, que estas pretensas verdades devam se tornar realidade, caso não o sejam.

Por sua tão grande importância, este assunto deveria despertar o mais profundo interesse de todas as pessoas, pois tem a ver com o seu destino e futuro eternos. É a vida de cada um que está em jogo.

Não existe nada mais nocivo, pernicioso e perigoso para a alma, do que o achismo . As pessoas simplesmente acham ou pensam que determinadas coisas que não compreendem devam ser da maneira que supõem ser, sem nenhum fundamento mais firme ou lógico do que a opinião de outras pessoas que porventura também não tenham tido este conhecimento.

Não é raro ouvir de pessoas afirmações tais como: Eu acredito assim, porque meus pais assim me ensinaram e assim aprenderam de meus avós . Ou, Eu acredito assim, porque assim aprendi de pessoas sábias, conhecedoras da verdade etc. Tais pessoas, assim o fazendo, não agem com sabedoria. Cada um deve buscar por si próprio o verdadeiro conhecimento, através de diligente estudo das Escrituras e da própria História, que as confirmam.

Outras pessoas, ainda, simplesmente ignoram estes assuntos, demonstrando o mais profundo desinteresse, ou julgando que estas coisas não lhes podem dizer respeito, ou que estão acima delas. A respeito destas pessoas a própria Palavra de Deus as identifica, de maneira clara e direta: Por causa do seu orgulho o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não existe Deus (Salmo 10:4).

Esta identificação aponta para estas mesmas pessoas um futuro sombrio e trágico: O Senhor prova o justo, mas a Sua alma aborrece o ímpio e o que ama a violência. Sobre os ímpios fará chover laços, fogo, enxofre e vento tempestuoso: eis a porção do seu copo. Porque o Senhor é justo, e ama a justiça; o Seu rosto está voltado para os retos (Salmo 11:5-7). Estas palavras, por terríveis que possam parecer, cumprir-se-ão infalivelmente, pois são a Palavra de Deus. Mas a vontade do Pai e Criador, cujo amor e misericórdia são infinitos, tão grandes como a Sua justiça, é a de que ninguém se perca, mas que todos venham a arrepender-se (II Pedro 3:9).

Infelizmente muitos a maioria se perderá. Não querem, não se interessam em conhecer as Sagradas Verdades que os poderia conduzir a Jesus e à vida eterna. O próprio Criador tristemente lamenta: O Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento. Porque tu rejeitaste o conhecimento, também Eu te rejeitarei ... Visto que te esquecestes da lei do teu Deus, também Eu Me esquecerei de teus filhos (Oséias 4:6).

A explicação para este desinteresse é o amor ao mundo. As pessoas não querem renunciar aos prazeres materiais e à satisfação dos instintos da carne. Desdenham das palavras de Cristo: Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me (S. Marcos 8:34).

Enfim, as pessoas não se interessam porque não pensam no futuro, na vida eterna. Inconscientemente, a idéia da própria morte parece algo distante, impossível de acontecer. O instinto natural imagina que viverá eternamente, como está escrito a respeito das pessoas que confiam nas coisas materiais: ...tão pouco viverá para sempre, ou deixará de ver a corrupção. Porque vê que os sábios morrem, que perecem igualmente o louco e o bruto, e deixam a outros os seus bens. O seu pensamento interior é que as suas casas são perpétuas e as suas habitações de geração em geração (Salmo 49:9-11).

Por estas razões, a mais sábia decisão das pessoas deveria ser pesquisarem por si próprias. É a sua própria vida e felicidade eternas que estão em jogo. O achismo , o amor ao mundo e o desinteresse são venenos fatais que inevitavelmente levam a alma à perdição, a morte eterna.


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As Grandes Religiões

Todas as grandes religiões da Terra congregam em suas fileiras bilhões de pessoas de todos os países e raças. Dentre essas podem ser destacados o Cristianismo em seus milhares de subdivisões, o Judaísmo, o Bramanismo, o Budismo, o Xintoísmo, o Induísmo, o Islamismo, e muitas outras.

O cristianismo nominal se divide entre católicos e protestantes, estes hoje comumente chamados de evangélicos. Os católicos são divididos em duas grandes correntes, os romanos e os ortodoxos, que obedecem a orientações diferentes; os primeiros com sede na cidade de Roma são liderados pelo papa, designado por Sumo Pontífice e que entre os seus vários títulos ostenta os de Ser vo dos Servos de Deus , Vicarius Filii Dei ou Vigário (ou Substituto) de Jesus Cristo, o Filho de Deus . Os católicos ortodoxos obedecem à orientação do seu líder maior, chamado de patriarca e que tem seu trono em Constantinopla, no Oriente. A única diferença entre eles é a de liderança, existindo a tendência de unificação, ao que tudo indica sob a direção do bispo de Roma, o papa.

Os chamados protestantes se dividem em milhares de igrejas ou instituições, que aumentam a cada dia. É difícil que se passe um único dia sem que apareça uma nova denominação religiosa, resultado de defecções entre as existentes ou, não raro, da ambição de pessoas ou de grupos de pessoas que ostentam vários tipos de interesses, nem sempre de inspiração cristã.

O nome protestante vem do protesto dos príncipes alemães, no século XVI, por ocasião da reforma iniciada pelo padre católico Martinho Lutero. Rebelando-se contra os abusos papais, deu início ao movimento que inspirou muitos outros e que resultaram na sacudidura do jugo romano. Estes movimentos levaram, por fim, à formação de várias igrejas ou instituições e denominações religiosas. Livrando-se da autoridade de Roma, nem sempre conseguiram eles se livrar de muitos dos erros incorporados às doutrinas, práticas e ensinamentos que aquela igreja herdou do paganismo, acumulados ao longo de muitos séculos de apostasia.

O Judaísmo teve suas raízes no Antigo Testamento das Sagradas Escrituras. A base de suas doutrinas e ensinamentos é a mesma do Cristianismo. Rejeitando a Jesus Cristo como o Messias prometido, o Cordeiro de Deus , continua até hoje a praticar os ritos que prefiguravam o Salvador, como o sacrifício dos cordeiros simbólicos. Depois da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., foram dispersos por todo o mundo e ainda hoje praticam sua religião em todas as partes do planeta.

O Budismo, o Hinduísmo e o Confucionismo são praticados por bilhões de pessoas no planeta, especialmente em sua parte oriental.

O Islamismo, preponderantemente religião dos povos árabes, originou-se com Maomé no século VI. Maometanos ou muçulmanos, como também são conhecidos, representam milhões de adeptos, conhecidos por sua ortodoxia e rigidez de princípios radicais.



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Os Grandes Homens da Terra

A História está repleta de notáveis personalidades que encantaram o mundo, uns pela sua genialidade, outros pela coragem e arrojo. Uns pelas grandes descobertas e avanços no campo das ciências, da filosofia e do saber; outros, enfrentando as fronteiras do desconhecido, desbravaram novos mundos e pelo seu destemor proporcionaram a conquista de todos os espaços geográficos do planeta.

As enciclopédias são pródigas no relato dos feitos desses grandes homens. Heróis, artistas, filósofos, pensadores, cientistas, muitos se destacaram e inscreveram seus nomes nos anais da história humana. Admirados, respeitados e colocados como coluna e exemplo no panteão da admiração dos homens, estes personagens são lembrados depois de séculos e mesmo milênios através dos seus feitos e conquistas.

Quem não conhece ou nunca ouviu falar, por exemplo, de Alexandre, o Grande, o conquistador de impérios? E de Newton, Einstein e Faraday, no campo das realizações científicas? Mas é no campo da filosofia e do pensamento que gostaríamos de dar destaque. Então, imediatamente surgem os nomes de Sócrates, Platão e Aristóteles, no campo filosófico. Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino são considerados colunas do pensamento cristão ocidental, discípulos e herdeiros do pensamento e filosofia gregos.

Inúmeros pensadores se destacaram em todas as épocas. Mais recentemente Descartes com a sua teoria do dualismo psicofísico, Sartre, Comte e Kant, dentre outros, revolucionaram a maneira de pensar de considerável parte da humanidade. Não se pode negar a influência que exerceram e exercem e a admiração que despertam mesmo nos dias de hoje, especialmente nas áreas consideradas mais eruditas. É a respeito das grandes religiões e dos grandes homens, dos mais sábios entre eles que desejamos fazer menção, no que diz respeito à natureza do homem e a concepção que dela fazem.


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As Grandes Religiões e os Grandes Homens

Todas as grandes religiões da Terra crêem e ensinam a doutrina da imortalidade da alma. Segundo esta crença a alma é uma parte separável do corpo, princípio espiritual do homem, por natureza imortal. Segundo este ensinamento ela se confunde com o espírito, que basicamente representa a mesma coisa que aquela, tendo dela apenas uma diferença semântica e significando a parte imaterial do ser humano.

Existem muitas semelhanças entre as várias correntes doutrinárias que ensinam a imortalidade da alma. Basicamente o ser humano, por esta doutrina, é imortal. O corpo, sendo apenas o invólucro material e perecível, está sujeito à morte e à corrupção. A alma ou o espírito, após a morte, desprende-se do corpo a que estivera ligado durante a vida como que por um cadeado, ficando livre para empreender novo rumo ou ser encaminhada para um novo e determinado destino.

As várias religiões ou correntes filosóficas divergem no tocante ao destino da alma ou espírito, depois da morte. Mas todas, praticamente, são unânimes na afirmação de que ela é imortal, que não pode morrer como o corpo. Portanto, resumindo, segundo elas o ser humano é composto de pelo menos duas partes: uma parte material, grosseira, mortal, que se decompõe e é desfeita e destruída após a morte; e uma parte imaterial, intangível, consciente, que não pode perecer, que se liberta do corpo após a morte para um destino que é variável, de acordo com a doutrina pertinente a cada religião ou filosofia.

Mas não são apenas as grandes religiões que acreditam nessa dualidade corpo e alma e na imortalidade da segunda. Ela era também a crença dos grandes filósofos e dos maiores pensadores que assim criam e ensinavam. Ainda hoje, os grandes da Terra mantêm esse ensinamento. Todos eles, à exceção dos que são ateus e materialistas, acreditam na imortalidade da alma.

Este conceito está de maneira absolutamente inquestionável patenteado na obra do Padre Pedro Cerruti, A Caminho da Verdade Suprema Síntese da Teologia Católica em sua Tese XII: A alma humana é por sua natureza imortal. Esta tese, no seu item 161 declara: Afirma-se uma imortalidade natural para a alma pessoal e consciente de cada homem (Ob. cit., p. 277). Como prova dessa doutrina ele consigna: A imortalidade foi sempre AFIRMADA pela humanidade em geral e pelo escol dos filósofos de todos os tempos: Anaxágoras, Platão, Aristóteles, Plotino..., Os santos padres (Agostinho...) os Escolásticos (São Tomás...), Descartes, Leibnitz, Wolff, Kant, Reid... (Idem).

Afirma, mais, em favor de sua tese, que a voz da humanidade é argumento decisivo: A crença na sobrevivência da alma é um fato universal em todos os povos, constando: a) nos povos primitivos; b) nos povos históricos e c) nas elites de todos os tempos, como nos sábios de hoje (Ibid. pp. 277-278).

Com referência aos povos primitivos é por ele dada ênfase a três condições: 1) pela idéia que têm da morte como uma partida do espírito, o qual segundo alguns povos mora ainda por certo tempo no quarto ou nas vizinhanças, donde ritos especiais para mantê-lo por mais tempo (Anamitas, Mongóis) ou para afastá-lo definitivamente (Índia, América, Grécia); 2) pelas cerimônias funerárias: objetos, armas, alimentos colocados no túmulo; posição dada ao cadáver simbolizando nova vida, folhas de acanto que se tornariam asas...; 3) pelo culto dos mortos: desde os tempos pré-históricos, o homem recolhe com respeito os despojos mortais de seus semelhantes, sepulta-os com especiais cerimônias, guarda os sepulcros como coisa sagrada: assim os Romanos, os Celtas, os Germanos, os Gregos (crendo que a alma não tivesse paz enquanto o corpo não fosse sepultado: vejam os esforços e sacrifícios dos heróis da Ilíada para alcançar os cadáveres e sepultá-los). Coisas análogas são observadas pelos etnólogos nas tribos selvagens da Ásia, América, África, Austrália. Se a alma não sobrevivesse, porque honrar ou temer quem não mais existe, porque cultuá-la, corresponder com orações? (...) Em Roma, os defuntos, os manes, tinham sua festa: Dies parentales, em que era implorada a sua bênção... (Ibid. pp. 277-278).

É interessante notar-se que o respeitado teólogo católico faz menção a tantas referências pagãs e mesmo à mitologia grega, mas não cita, absolutamente, a única fonte confiável e correta, a Bíblia Sagrada. Outra curiosidade é que a igreja de Roma trouxe do calendário pagão inúmeras de suas festas, da qual o teólogo em questão cita a que foi incorporada mesmo ao calendário civil oficial: o dia de finados, comemorado no segundo dia de novembro. Igualmente incorporado ao calendário foi a antiga festa pagã de todos os deuses , agora comemorada como a festa de todos os santos no dia anterior ao dia dos mortos.

Esta doutrina da imortalidade da alma deu razão e causa ao nascimento do espiritismo, que pouco diverge do fundamento religioso hoje em prática. Por ela também se encontra explicação para a invocação aos mortos e a veneração a Maria e aos santos canonizados por Roma.

Esta doutrina, repetimos, é seguida, aceita e ensinada por quase todo o mundo, pelos grandes homens e pelas maiores religiões da Terra. Mas, por mais chocante que possa parecer para muitos, somente há um obstáculo e oposição ao seu ensinamento: a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus.

Este estudo tem por propósito, exatamente, esclarecer de maneira racional e objetiva esta questão. As respostas a ela, conforme mencionado anteriormente, somente podem ser encontradas nos seus registros Sagrados.



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Onde Está a Verdade?

É muito natural que todas as igrejas, as instituições e denominações religiosas e filosóficas reivindiquem para si a condição de detentoras da verdade. Seria até surpreendente e contraditório se fosse de outra forma, que alguém professasse uma crença, admitindo que a mesma não fosse a verdade. No entanto são tantas e tão diferentes as interpretações sobre as mais variadas e importantes questões que uma pergunta surge espontaneamente: Onde está a verdade? E a resposta a única resposta que possui legitimidade e merece confiança está na Bíblia Sagrada, porque ela é a palavra de Deus escrita, condição reivindicada pelo Seu Autor, o Deus Eterno, o Senhor dos Exércitos.

Todas as grandes civilizações da Antigüidade mantinham um profundo sentimento religioso que lhes moldava até mesmo a conduta social e política. E todas elas tinham os seus livros sagrados, alguns antiguíssimos, remontando aos primórdios da civilização. Os livros mais antigos de que se tem conhecimento refletem a religiosidade e o misticismo dos seus povos. Dentre estes poder-se- iam destacar o Livro dos Mortos do antigo Egito, o Zend-a-Vesta dos persas, e os Purunas da Índia, dentre muitos outros, inclusive outro mais recente e conhecido, o Corão , da religião islâmica.

Nenhum deles, entretanto, pode se comparar com o livro do judaísmo-cristianismo, a Bíblia Sagrada. Nenhum outro tem provas, profecias, cronologia e histórias tão detalhadas e genuinamente comprovadas quanto ela. E mais, somente através dela o Deus Altíssimo reivindica Sua autoria, repetindo incontáveis vezes expressões como: Assim diz o Senhor ou Eu Sou o Senhor dos Exércitos . E o que mais legitima nela a qualidade e condição de Palavra de Deus é o cumprimento exato, matemático e assombroso de todas as suas profecias, que nada mais são do que a História antecipadamente anunciada por Deus, que conhece o fim desde o princípio.

Por todas estas razões é que se pode afirmar confiadamente, que a resposta a todas as indagações do homem no que se refere à sua natureza, origem e destino, somente podem ser encontradas em suas sagradas e inspiradas páginas.

Nenhum outro livro foi tão encarniçadamente combatido e perseguido como a Bíblia Sagrada. Satanás, através de suas instrumentalidades humanas, usou todos os recursos na tentativa de destruí-la. Quase atingiu o seu intento no período sombrio de domínio papal, na Idade Média, quando foi subtraída do povo, escondida, proibida sua leitura e posse e perseguidos e condenados os que a defendiam. Foi ela proibida aos leigos e incluída no Index Librorum Prohibitorum, o índice dos livros proibidos pela igreja católica romana, no ano de 1.229, pelo Concílio de Valença. Os livros contrários à doutrina iam para o índice dos livros proibidos, que não podiam ser impressos e cujos autores tinham que se explicar com a Inquisição (CACERES, Florisval. História Geral, p. 104). No entanto, o poder anticristão que a perseguia não estava combatendo um simples livro, mas a Palavra de Deus. As conseqüências de sua impiedade e apostasia serão colhidas por ele no futuro próximo e estão detalhadas no próximo capítulo desta série, A História de Roma e o Anticristo .


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Platão e Santo Agostinho

O conceito de alma imortal teve nos gregos os seus grandes difusores. Entre o sétimo e quinto século a.C. ele passou dos seus misteriosos cultos para a filosofia e foi, depois, juntamente com a cultura helênica, intensamente difundida por todo o mundo antigo, por ocasião das conquistas de Alexandre, o Grande.

A idéia da vida além-túmulo onde as almas dos perversos receberiam doloroso castigo era atraente e espalhou-se para todos os lugares. A natureza da alma era assunto obrigatório e causa de debates intermináveis entre os filósofos; dentre estes, talvez o maior proponente da imortalidade da alma tenha sido Platão, no quarto século a.C., discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles.

Segundo Platão, a morte é o grande amigo da alma, que é por ela libertada do corpo. Foi ele o grande inspirador de Santo Agostinho na formulação de suas teses teológicas que, ainda hoje, são acatadas e observadas pelo catolicismo romano e pela absoluta maioria do cristianismo dito protestante ou evangélico.

Os fundamentos da doutrina reencarnacionista e espírita são manifestados no seu livro basilar, O Evangelho Segundo o Espiritismo . O item IV de sua introdução tem como título: Sócrates e Platão, precursores da idéia cristã e do espiritismo . Ora, toda a introdução da referida obra é uma apologia aos filósofos gregos, especialmente Sócrates e Platão. No referido item IV é citado que eles pressentiram a idéia cristã e que se encontram igualmente em suas doutrinas os princípios fundamentais do Espiritismo . São descartados os principais fundamentos do Cristianismo, a Bíblia Sagrada e os profetas hebreus.

Agostinho, conhecido como o pai da igreja latina, teve uma juventude pródiga e sensual. Decidindo-se a investigar a natureza do homem, deixou de lado as Sagradas Escrituras, preferindo os filósofos e sábios gregos e romanos aos profetas e apóstolos hebreus. A História assim se refere a ele: A busca e a investigação tornaram-se, daquele momento em diante, seu objetivo primordial. De início, decidiu-se ao estudo das Escrituras, mas logo se cansou: o admirador de Virgílio, Terêncio e Cícero ficou desiludido diante do estilo simples da Bíblia (Grandes Personagens da História Universal, Agostinho , p. 145).

Tinha ele uma grande capacidade retórica e admirável inteligência. Continua o relato histórico: De volta à cidade natal, Agostinho abre uma escola particular, onde ensina gramática e retórica. Gosta de ensinar, durante treze anos esta será sua profissão. Seus múltiplos interesses intelectuais, entre os quais o ocultismo e a astrologia, não o impedem de tornar- se excelente professor, capaz de despertar a curiosidade de seus alunos (Idem, destaque acrescentado). Antes de tornar-se padre e bispo de Hipona, vagueou por vários caminhos que tiveram influência marcante nos seus conceitos e tratados teológicos. É interessante a seqüência dos testemunhos históricos a seu respeito: A inquietude é tema tipicamente agostiniano, um aspecto permanente de seu desenvolvimento. O despertar de seu espírito crítico levou-o a abandonar o cristianismo que sua família professava. Agostinho adotou o maniqueísmo, pretendendo seguir a força única da razão. Durante doze anos foi seguidor de Mani, profeta persa que pregava uma doutrina na qual se misturavam Evangelho, ocultismo e astrologia. Segundo Mani, o bem e o mal constituíam princípios opostos e eternos, presentes em todas as coisas. Era uma religião teoricamente severa, mas cômoda na prática: o homem não era culpado por seus pecados, pois já trazia o mal dentro de si (Idem).

Torna-se fácil, portanto, compreender a teologia agostiniana pelo que dele se testemunha a seguir: Agostinho procura uma filosofia capaz de englobar o cristianismo e a salvação. Adota algumas posições dos seguidores de Platão, como a concepção de dois níveis de conhecimento um através dos sentidos, e outro percebido unicamente pela razão. E junta-lhes a figura de Cristo. Com esses elementos iniciais ergue um edifício filosófico que muito influenciaria o pensamento ocidental e, que, em alguns aspectos, conserva ainda hoje a sua força polêmica (Ibid., p. 156).

Para que se tenha idéia do que representou e representa a teologia de Santo Agostinho é interessante que se tenha conhecimento do alto apreço que o inspirador do espiritismo tem por ele. Eis o que ele manifesta, a respeito do filósofo e teólogo, no Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo : Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo; ele se manifesta quase que por toda parte; a razão disso encontramos na vida desse grande filósofo cristão, que pertence a essa vigorosa falange dos pais da igreja, aos quais a cristandade deve seus mais sólidos alicerces (Capítulo I, item 11).

Ora, esse testemunho diz, por si só, de que lado este filósofo católico, mas não cristão estava e qual o tipo de alicerce que ele ajudou a construir. Certamente que não o do Cristianismo puro e apostólico, cujas bases ele realmente ajudou a lançar por terra.


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Aristóteles e Santo Tomás de Aquino

Aristóteles, talvez o maior filósofo grego (384-322 a.C.), foi discípulo de Platão. Aos dezessete anos de idade mudou-se de Estagira, sua cidade natal na Macedônia, para Atenas, ingressando na academia do seu mestre, com quem esteve durante vinte anos. Foi ele um dos precursores da teoria da evolução e um dos considerados grandes homens que mais ênfase deu à doutrina da imortalidade da alma. Segundo a sua teologia Deus não é criador, pois a matéria criada é indigna da perfeição divina (Enciclopédia Universo, Editora Delta, p. 366). Para ele, segundo a mesma referência, o homem se caracteriza pela razão.

A filosofia de Aristóteles esteve durante muitos séculos esquecida. Note-se o testemunho histórico: Durante os períodos helenístico e grego-romano, a influência da filosofia aristotélica foi limitada. Foram os árabes, com Averrois, e os europeus ocidentais do século XII que redescobriram Aristóteles. A princípio, a propagação das idéias aristotélicas inquietou a igreja; mas no século XIII São Tomás de Aquino, na Suma Teológica, fez uma síntese da filosofia aristotélica com os dogmas cristãos, do que se originou a Escolástica. As pesquisas científicas, já nos séculos XVI e XVII, condenaram a física aristotélica através de Galileu e Descartes. A lógica de Aristóteles, porém, permaneceu (Ibid., p. 367, destaque acrescentado).

Tomás de Aquino, santo por decreto pa pal, é considerado o maior teólogo da igreja católica. Seus conceitos ainda hoje permanecem como alicerce e coluna dos cânones da igreja de Roma. Desta constatação dois interessantes pensamentos surgem para reflexão. O primeiro: toda a teologia de São Tomás de Aquino é basicamente inspirada na filosofia de Aristóteles. O próprio papa João Paulo II considera-se um papa aristotélico, segundo suas próprias afirmações. O segundo: quase todas as igrejas que se dizem evangélicas ou protestantes também seguem o pensamento tomístico ou de São Tomás de Aquino e, por extensão, o pensamento aristotélico.

Tomás de Aquino teve a mais absoluta liberdade para cogitar sobre os mais variados assuntos teológicos. Eis o que sobre isso diz a História: Dentro dos limites da fé, as inteligências mais brilhantes da Igreja gozaram, freqüentemente, da mais alta liberdade para especular sobre assuntos fundamentais, como a natureza de Deus e a imortalidade da alma. Na Idade Média, período de maior poderio e solidez da Igreja do Ocidente, assistiu-se a um extraordinário desabrochar da filosofia religiosa. O pensamento medieval atinge o seu apogeu com as obras monumentais de São Tomás de Aquino, um italiano profundamente influenciado pelas idéias do antigo filósofo grego Aristóteles. (...) Com o tempo, porém, o seu pensamento acabou por ser aceito como a filosofia oficial da Igreja Católica (A História do Homem nos Últimos Dois Milhões de Anos, p. 291).

São inúmeros os testemunhos históricos que comprovam a influência de Aristóteles no catolicismo e cristianismo nominal mesmo nos dias atuais.

Merecem destaque os seguintes: São Tomás de Aquino foi o teólogo e filósofo cristão mais respeitado na Idade Média, autor de novo conceito filosófico e teológico (segundo o qual a razão não se opõe à fé), baseado nos princípios filosóficos de Aristóteles e na revelação divina. Sete anos passou frei Tomás lecionando e meditando em Paris. E começou a elaborar sua doutrina que, mais tarde, seria aceita pela Igreja e conhecida como Tomismo. Em primeiro lugar, Tomás de Aquino reviu a atitude da Igreja ante a filosofia de Aristóteles, rejeitada como a dos demais pensadores gregos de antes de Cristo como pensamentos pagãos. As conclusões de Tomás de Aquino foram outras (com ref. a Averrois). Primeira: a filosofia de Aristóteles não era necessariamente pagã pelo mero fato de ter o filósofo nascido antes de Cristo afinal, os gregos, e principalmente Aristóteles, tinham também uma concepção de Deus. Segunda: a razão, dada ao homem por Deus, não se choca necessariamente com a fé. Terceira: a revelação divina orienta a razão e a complementa. Essas conclusões resumidas na principal obra de Aquino, a Suma Teológica , foram aceitas pela Igreja e ainda são consideradas válidas (Tomás de Aquino O Santo Que Teve Fé na Razão, p. 64).

Eis alguns interessantes registros a respeito do tema enfocado: Sócrates (470-395 a.C.) e Platão (427-347 a.C.), os dois grandes filósofos gregos, com seus ensinamentos, fizeram com que despertasse o interesse pela natureza do homem (BRAGHIROLLI, Elaine Maria, Psicologia Geral, p. 13).

Continua a mesma referência: A primeira doutrina sistemática dos fenômenos da vida psíquica foi formulada, na antiga Grécia, por Aristóteles. Nos três livros De Ani ma, ele se pronuncia, como introdução, sobre a tarefa da psicologia. Aristóteles acredita que as idéias e, conseqüentemente, a alma, seriam independentes do tempo, do espaço e da matéria e, portanto, imortais . Em 1250, com Tomás de Aquino (1224-1275), as obras de Aristóteles alcançaram um notável estado de perfeição. A determinação aristotélica das relações corpo-alma e as questões ligadas a elas sobre as diferentes funções psíquicas tornaram possível a este santo da Igreja medieval uma união quase total da psicologia aristotélica com as doutrinas da Igreja (Ibid. pp. 13-14).


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Profetas Hebreus ou Filósofos Gregos?

Qualquer pessoa que tenha lido as Sagradas Escrituras sabe que Deus revelou as Suas verdades ao mundo através de patriarcas, profetas e apóstolos hebreus, nelas mencionados. A religião cristã, ensinada e instituída por Jesus Cristo, tem base unicamente nos ensinos dos patriarcas e profetas, no Velho Testamento, e que foram reiterados e confirmados nos registros dos apóstolos, no Novo. É absolutamente certo que o Senhor somente revelou as verdades do Seu Evangelho Eterno a Israel, como está escrito: Mostra a Sua palavra a Jacó, os Seus estatutos e os Seus juízos a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; e, quanto aos Seus juízos, não os conhecem (Salmo 147:19-20).

Portanto, está definitivamente assentado pelos registros sagrados da palavra de Deus que as Suas verdades todas elas não foram reveladas a filósofos e sábios gregos, romanos, egípcios, persas, babilônicos ou de qualquer outra nação ou povo, nem aos sábios e grandes homens da Terra. Está categoricamente afirmado que estas verdades somente foram reveladas a Israel, através dos profetas escolhidos pelo Senhor dos Exércitos. Resta saber, então, se estas verdades bíblicas coincidem com as das nações pagãs e gentílicas, das grandes religiões e dos grandes sábios e filósofos, ou se das mesmas diferem. Esclarecer esta questão é o propósito maior deste estudo.

A nação judaica, recebendo as revelações do Senhor e sendo delas depositária, deveria revelá-las ao mundo todo, sendo como um facho de luz, influenciando as nações. Ocorre que aquele povo enclausurou-se num preconceito egoísta e, graças ao seu feroz nacionalismo exclusivista, não cumpriu o seu sagrado dever, sendo infiel ao seu depósito e comissão. Ao invés de influenciar as nações com a verdade santificadora e salvadora, deixou-se influenciar pelas práticas idolátricas e perversoras das mesmas nações que deveria beneficiar.

É interessante lembrar que aqueles que se dizem representantes de Deus na Terra são os primeiros a defender e ensinar doutrinas contrárias à Sua Palavra. Os judeus ainda se dizem os representantes de Jeová, o Senhor dos Exércitos, na Terra. O papa, líder e chefe maior dos católicos romanos, julga-se, também, o legítimo representante de Deus, considerando-se, conforme um dos seus títulos, Substituto de Jesus Cristo . Mas dentre as doutrinas que defendem e ensinam uma das mais expressivas a imortalidade da alma está edificada sobre uma mentira, a primeira e maior mentira, proposta por Satanás, o pai da mentira.

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A Origem da Vida e da Morte, Segundo a Bíblia

A primeira e maior mentira de Satanás foi a contestação atrevida à clara, positiva e taxativa afirmação do Deus Altíssimo, nas Suas instruções aos pais da raça humana, Adão e Eva, como desejamos recordar, mencionando o registro sagrado; segundo este registro Deus é, não apenas o Autor e Doador da vida. Ele é, também, a Fonte sua única fonte.

Não existe vida em outro lugar. A vida humana originou-se de Deus e foi insuflada através do Seu sopro nas narinas do primeiro homem. Foi ele criado segundo a imagem e semelhança do seu Autor, para viver eternamente. Esta imortalidade, entretanto, era sob condição e esta condição era a obediência. Se obedecesse aos conselhos e determinações de Deus, viveria ele feliz pelos séculos intérminos da eternidade, imortal como Aquele que lhe dera a vida.

Estas determinações não eram imposições de um senhor despótico e nem caprichos de um tirano. Eram elas os sábios e apropriados conselhos de um pai amoroso, preocupado com a felicidade do filho, de quem conhecia todas as necessidades e cuidados para lhe preservar a vida e a alegria.

Desobedecendo, não viveria, mas certamente morreria, de acordo com a palavra de Alguém que não pode blefar e nem mentir. Eis o relato sagrado: E formou o Senhor Deus o homem do pó da Terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gênesis 2:7). Este é o único relato legítimo da origem da vida humana. É imprescindível o seu pleno entendimento para a correta compreensão da natureza do homem.

Tomando Deus os elementos naturais da terra, modelou dela uma massa, ou barro, e esculpiu, Ele próprio, uma obra de arte, tendo a Si próprio como modelo. Aproximando-se da bela e imóvel estátua sem vida estendida no solo, o Grande Artista soprou em suas narinas o fôlego de vida rú-ahh e imediatamente a estrutura pronta e acabada adquiriu vida, transformou-se numa alma vivente né-fesh.

As palavras do original hebraico utilizadas no presente relato significam espírito e alma , respectivamente. A palavra espírito significa ar, vento, fôlego, que está em harmonia com a sua correspondente grega pneuma que representa a mesma coisa. Como exemplo podem-se citar algumas palavras derivadas, como pneumático e pneumonia, que significam, respectivamente, recipiente de ar e infecção dos pulmões que são, também, recipientes de ar. A palavra alma significa princípio de vida . A palavra hebraica que a designa ocorre mais de setecentas vezes nas escrituras hebraicas, nunca dando idéia de ser uma parte separada, etérea, espiritual, do homem. Pelo contrário, ela indica ser a alma algo concreto, físico, tangível.

Portanto, podemos concluir que Adão não recebeu uma alma, mas se transformou numa alma vivente; ou seja, o homem não tem uma alma; ele é uma alma. A alma é, então, segundo a Palavra de Deus, o conjunto formado pelo corpo feito do barro ou do pó da terra, e da vida insuflada através do sopro, ou do ar, ou do espírito de Deus. Um corpo vivo, então, é uma alma, uma alma vivente.

Ao instruir pessoalmente o primeiro casal os pais de nossa raça a respeito do que deveriam evitar para continuarem a gozar da perfeita paz, alegria e felicidade que a vida lhes proporcionava, Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda a árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gênesis 2:16 e 17).

O casal nem ao menos sabia ao certo o significado das palavras certamente morrerás , por que não conheciam a morte, que nunca havia ocorrido em todo o Universo. A morte é a inexistência, a cessação da vida, o seu oposto.

Satanás, o adversário de Deus , o anjo que se rebelara contra a Sua autoridade, dispusera -se a frustrar os planos do Senhor na perpetuação da raça humana e no seu propósito de encher a Terra de seres perfeitos e felizes, que vivessem eternamente. O primeiro casal fôra advertido e alertado da possibilidade de assédio do inimigo comum. Mas foram vãs estas advertências, porquanto o ardiloso adversário conseguiu o seu intento em promover a ruína da raça humana, valendo-se da astúcia, do engano e da mentira.

Está escrito: Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher. É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então disse a serpente à mulher. Certamente não morrereis (Gênesis 3:1-4).

Deste breve relato podem ser tiradas as mais importantes lições que servirão de escudo contra a mentira e o engano:

1ª Pode-se afirmar, com a mais absoluta certeza, de que foi esta a primeira sessão mediúnica de que se tem conhecimento. Satanás, incorporando-se no animal que, então, não tinha a forma rastejante e asquerosa que ostenta hoje, mas que era o mais belo entre todos, conseguiu enganar a Eva.

2ª As palavras de Eva em resposta a Satanás travestido de serpente não correspondem às palavras ordenadas por Deus. Segundo a Bíblia, Deus não proibiu que se tocasse no fruto, mas que se comesse do mesmo. O acréscimo de Eva às recomendações de Deus revelou-se a sua ruína. Assim, colhendo um dos frutos proibidos, Satanás colocou-o nas mãos de Eva. Não experimentando ela nenhum sintoma ou sinal de que a sentença impendente seria cumprida, foi instada e incentivada pelo Enganador a completar o seu ato.

Desobedecer por desobedecer, ela já havia desobedecido ponderou a serpente levando- se em conta as palavras da mulher. Começou ela a admitir, então, a possibilidade de a serpente ter razão, pois, segundo a mesma, adquirira ela o dom da fala ao comer do fruto. Cogitou, pois, da possibilidade de ser admitida em uma mais elevada dimensão de vida. Ela Eva como a mais inteligente e bela de todas as criaturas, segundo Satanás, seria elevada a uma condição ainda maior, seria igual a Deus, tendo conhecimento de tudo, do bem e do mal. Então, comeu ela do fruto. Somente então é que desobedeceu, transgrediu o mandamento de Deus e tornou-se indigna da vida, sujeita à sentença de morte.

Adão, ao contemplar a desgraça de sua tão amada companheira, vislumbrou o destino que lhe estava reservado, pelo seu tresloucado ato. Tomado de indizível tristeza acreditou não ser capaz de viver sem a sua companhia. Tomou do fruto e dele comeu. Também desobedeceu, não por rebelião ao seu Criador e Pai, mas para participar do mesmo destino de sua amada.

Os resultados da desobediência, a maldição do pecado, estão por toda parte. A primeira conseqüência foi a morte, como sentenciara a palavra de Deus, que não podia voltar atrás. A partir do ato do casal a sentença começou a ser executada. Não da forma como Satanás esperava e Adão temia. Não de maneira fulminante e imediata. A partir do seu pecado a natureza humana foi modificada. A sentença foi cumprida, inevitavelmente. O homem, tendo implantada em si a semente do pecado, passou a envelhecer e depois de um determinado período de vida o seu destino inexorável seria o túmulo.

Mas Deus não abandonou o homem ao seu destino sombrio, mas merecido. Manifestou-se, então, a graça, incompreensível demonstração do amor de Deus. O Criador ofereceu-Se para morrer no lugar do seu amado filho e de sua descendência. Pela oferta da Sua vida seria resgatada a vida do homem e mantida a dignidade de Sua palavra. O homem novamente teria o direito à vida eterna, mas ainda sob condições. A condição permaneceria a mesma: a obediência aos mandamentos e conselhos do Criador e a aceitação do Seu sacrifício infinito, proposto para novamente o habilitar à vida, pela ressurreição, mesmo depois de experimentar a morte e descer à sepultura.

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O Cristianismo - Parte I

O Cristianismo é um princípio de vida de origem divina. Ele é, num sentido geral, a continuação do que conhecemos como Judaísmo, isto é, a síntese dos ensinamentos ministrados aos hebreus, enviados através de patriarcas e profetas. A única diferença é o cerimonial típico de sacrifícios, praticados pelos judeus e que tiveram cumprimento no sacrifício de Jesus, para o qual aqueles sacrifícios apontavam. Vindo o verdadeiro sacrifício do qual aqueles eram sombra, não se faziam mais necessários aqueles ritos simbólicos, como os holocaustos, festas cerimoniais e a circuncisão, dentre outros.

O Cristianismo sintetiza os ensinamentos de Jesus Cristo, de amor a Deus e ao próximo. Pelo Seu sacrifício, a humanidade teria restabelecida novamente a ligação com Deus, rompida pelo pecado, no Éden. Este é o verdadeiro sentido da palavra religião . Ela significa religação . Portanto, a verdadeira religião não é uma instituição ou denominação religiosa, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Ele é a verdadeira religião e o único caminho por meio do qual o homem pode ser restabelecido à comunhão e ao favor do Pai.

Este caminho foi claramente definido por Jesus, ao dirigir-se a Natanael, um dos Seus discípulos, no início do Seu trabalho em favor dos homens. Disse Ele, referindo -Se a Si próprio: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho de Deus (S. João 1:51). Esta mística ligação com o céu já havia anteriormente sido manifestada através da Palavra de Deus, muitos séculos antes, quando Jacó, fugindo da ira de seu irmão Esaú, teve um sonho da parte de Deus: E sonhou: e eis uma escada era posta na Terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela (Gênesis 28:12).

Jesus é, portanto, a escada ou a ponte para o céu. Ele é, repetimos, a única ligação possível da humanidade, com Deus. Existe na Terra um poder que se arroga esta condição e procura usurpar a prerrogativa que somente Jesus pode ter. É ele designado como a suprema ponte , ou Sumo Pontífice, título que herdou do antigo paganismo romano.

Portanto, somente através de Jesus o homem novamente pode ter direito à vida eterna, vencido o poder da morte, à qual todo ser humano estava subjugado. O retorno à vida, pela ressurreição, ficou assegurado pelo Criador, com a oferta representada pelo sacrifício da cruz. O próprio Senhor Jesus afirmou, categoricamente: Eu Sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e da sepultura . Eu Sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá . E Eu o ressuscitarei no último dia (Apocalipse 1:17- 18; S. João 11:25 e 6:44).

O mesmo Jesus afirma claramente: Quem ouve a Minha palavra, e crê nAquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida . Ele diz ainda: os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão . Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação (S.João 5:24-25 e 28- 29).

Esta é a essência do Cristianismo. Unicamente pela fé em Jesus Cristo e pela aceitação do Seu sacrifício é que o homem tem o direito à vida eterna. Não existe mais nada, nenhuma coisa, nenhum homem, nenhum outro nome que possa substituir ou contribuir com o que Deus estabeleceu para a nossa salvação. Pedro, falando de Jesus, a pedra que foi posta por cabeça de esquina, como fundamento da Igreja, afirmou: Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos . E Paulo ensina: Todos estão debaixo do pecado; não há um justo, nem um sequer. Não há quem faça o bem, não há nem um só. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Atos 4:11-12; Romanos 3:9-10, 12 e 23).

O mesmo apóstolo, inspirado pelo Espírito de Deus, completa: Sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus . Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo . Porque o salário (ou conseqüência) do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por (através de) Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 3:24 e 5:1 e 6:23). Esta, repetimos, é a essência do Cristianismo. Todo ensino, filosofia ou doutrina contrária a estes princípios, que visem modificá-los, alterá-los ou mesmo aperfeiçoá-los, tem origem no inimigo de Deus e de Jesus Cristo e podem ser rotulados, sem nenhuma dúvida, de anticristianismo.

A maior prova de que a fé de alguém é genuína é a revolução que acontece em sua vida, ao conhecer a Jesus e aceitar o Seu sacrifício. Quando alguém abraça a Jesus Cristo a verdadeira religião pela fé, é transformado. Um poder superior modifica os seus hábitos, pensamentos e ambições. É este poder santificador a influência do Espírito Santo que modela o caráter à semelhança do caráter do Mestre, a quem desejará imitar.

Então, o que era impossível, passa a ser uma realidade em sua vida: vencer as tentações, desejar naturalmente fazer o bem até mesmo para quem lhe faz o mal, afastar-se do erro, amar os inimigos, pagar todo mal com o bem e outras coisas que ao homem natural é impossível fazer. Estará vivendo aqui mesmo na Terra, os princípios do reino de Deus, do qual se tornou um cidadão. Estará praticando a lei do amor e da caridade, habilitado para o céu. Por gratidão e amor a Deus praticará a obediência voluntária a todos os Seus princípios e mandamentos. A graça está em seu coração, a salvação o alcançou. Este é o Cristianismo verdadeiro, a religação com Deus.

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O Cristianismo - Parte II

O espiritismo, por definição, é hoje a doutrina baseada na crença da sobrevivência da alma e da existência de comunicações, por meio da mediunidade, entre vivos e mortos, entre os espíritos encarnados e os desencarnados.

A primeira manifestação mediúnica, segundo a Bíblia Sagrada, aconteceu no Éden, já no início da história do homem. Satanás, incorporando-se numa serpente, enganou a Eva, mãe da raça humana, na primeira mentira que causou a ruína do casal e foi responsável e causa da existência da morte.

O homem não foi destruído, então, como queria Satanás. Foi ele degradado, recebendo a condenação da morte, mas recebendo também a promessa da redenção, pelo futuro sacrifício do próprio Criador.

Deus jamais poderia imortalizar o pecado, razão pela qual expulsou o casal do jardim, onde se encontrava a árvore da vida. Privando-o do seu fruto, que lhes perpetuaria a existência, seu destino seria, inevitavelmente, a morte.

Não se conformando com a manifestação da graça e a possibilidade de voltar o homem à vida pela ressurreição, através dos méritos de Jesus, Satanás dispôs-se a combater a raça que odiava. Todas as suas armas seriam usadas para esse fim e ele tem utilizado todos os meios e recursos, toda as suas obras de astúcia, mentira e enganos para arruinar a raça humana.

O maior de todos os seus enganos, responsável mesmo pela queda do primeiro casal e de toda a sua descendência, foi aquele em que contestou a sentença divina: Certamente morrerás! Contrapondo-se à clara e direta afirmação de Deus ele procurou desmentir: Certamente não morrereis! .

Desde então, reconhecendo o grande sucesso obtido através de sua mentira, verificou o fascínio que a idéia da imortalidade despertava na raça decaída. Induziu desde o princípio os homens à desobediência e rebelião a Deus. Procurou incutir, mesmo nos primeiros filhos de Adão, o inconformismo pelas conseqüências que colhiam por causa do pecado de seu pai.

Transcorrendo os anos e as gerações, pouco a pouco se foram desviando os homens dos princípios morais e dos conselhos do Senhor. Tornaram-se, então, presa fácil de Satanás, que foi inculcando o erro e o engano nas civilizações e povos que foram resultando da descendência e multiplicação da espécie humana, induzindo-os a cultuar os mortos e a acreditar na imortalidade da alma.

Todos os homens que naquela época se destacavam e se tornavam notórios passavam a ser cultuados como heróis mitológicos, sendo muitos deles depois adorados como deuses. Estátuas, ídolos e imagens passaram a representar esses deuses para facilitar e materializar esse culto, que se estendeu, entre muitos povos, aos astros e mesmo aos animais, substituindo o culto ao verdadeiro Deus.

As mais diversas crenças se multiplicaram, desvirtuando-se a razão e propósito do ritual de sacrifícios de animais, originalmente estabelecido por Deus para substituir e representar o Seu futuro sacrifício, que finalmente se concretizaria na cruz. Diferentes formas de sacrifícios foram sendo oferecidos para aplacar a ira dos deuses, chegando as pessoas a oferecer até mesmo sacrifícios humanos.

Ainda hoje é comum a oferta de sacrifícios ou oferendas que as pessoas, imaginando oferecer aos espíritos de pessoas mortas, estão na realidade oferecendo aos demônios, como bem esclarece a Palavra de Deus. Existem mesmo muitas pessoas que têm plena consciência deste fato, quando invocam os demônios, conhecidos por exus nos ritos do chamado baixo espiritismo, nas cerimônias do candomblé ou nos terreiros de quimbanda. Ali, principalmente, são oferecidos sacrifícios e oferendas, não raro com a intenção de atingir ou prejudicar inimigos ou desafetos. A este respeito, bem condena a Palavra de Deus: O sacrifício dos ímpios é abominação; quanto mais o oferecendo com intenção maligna (Provérbios 21:27).

Toda forma de paganismo surgiu com as manifestações do poder satânico que as pessoas não podiam explicar. Fenômenos sobrenaturais, paranormais, extraordinários, que ainda hoje são a maior arma da sutileza dos demônios na sua obra de engano, eram utilizados para consolidar a rebelião contra Deus e o enraizamento dos princípios pagãos. Estas manifestações se repetiram ao longo de toda a história do homem sobre a Terra, especialmente nos mistérios dos santuários orientais e nos fenômenos ocultos da Idade Média. Segundo afirma o espiritismo, estes fenômenos eram manifestações dos espíritos de pessoas desencarnadas.

No paganismo, portanto, variavam as formas de religião e de culto, mas era unânime a crença na imortalidade da alma e na preservação da identidade e da consciência após a morte. Foi assim tão obscurecida a realidade e pervertida a verdade, que Deus constituiu um povo para preservar esta verdade e mesmo restabelecê-la entre as nações. E dentre os conselhos e advertências do Senhor, os mais expressivos diziam respeito à Sua abominação ao culto e à invocação aos mortos, que Ele declarava ser culto aos demônios.

Diz a Palavra de Deus, nos conselhos e determinações aos Seus filhos, ao Seu povo: Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor, e por estas abominações o Senhor teu Deus as lança fora de diante dEle (Deuteronômio 18:10 -12). Ao estabelecer firmemente os Seus princípios, o Senhor manteve sempre a Sua aversão ao culto aos demônios. Ainda que alguém houvesse errado, era-lhe oferecida a oportunidade de arrepender-se e abandonar tais práticas: E nunca mais sacrificarão os seus sacrifícios aos demônios, após os quais eles se prostituem... (Levítico 17:7). Os que perseverassem na prática abominável deveriam, então, ser extirpados do seu povo (verso 9).

Ainda com referência aos que adotavam e adotam esta prática, a Palavra de Deus define, claramente: Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios (I Coríntios 10:20).

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O Espiritismo Moderno

As maiores manifestações do poder de Satanás para enganar e perverter, entretanto, estão reservadas para o futuro. Tem ele o poder, mesmo, de travestir-se em anjo de luz e o último e maior de seus enganos será o de imitar a vinda de Jesus a este mundo. Este será um engano quase que irresistível. Somente os que estiverem firmados na verdade das Escrituras poderão resistir ao encantamento que esta visão irá provocar.

Está escrito: E não é maravilha, porque o próprio Satanás transfigura-se em anjo de luz (II Coríntios 11:14). Eis as palavras do próprio Salvador, a respeito dos dias que se aproximam e dos enganos que eles trarão: Então, se alguém vos disser: eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhes deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fôra, enganariam até os escolhidos (S. Mateus 24:23-24). O apóstolo da Revelação conclui, referindo-se à manifestação do grande poder enganador: E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à Terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na Terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse... (Apocalipse 13:13-14).

O espiritismo moderno iniciou-se no século passado, na mesma época e lugar em que começou a mensagem do juízo, com o objetivo claro de contrafazê-lo. A Bíblia Sagrada enfatiza de maneira clara e objetiva que aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo (Hebreus 9:27). O espiritismo moderno contradiz esta afirmação de maneira direta, com o dogma da reencarnação. Segundo esta doutrina, difundida e hoje aceita no mundo todo, as pessoas não morrem apenas uma vez, como afirma a Palavra de Deus, mas morrem e reencarnam sucessivas vezes, no curso de um processo de aperfeiçoamento espiritual, conseguido através dos próprios esforços e méritos pessoais, pela prática da justiça e da caridade.

A doutrina bíblica do juízo, profeticamente anunciada com milênios de antecedência, teve início em meados do século passado, mesma época em que se iniciou o espiritismo moderno, transformado e adaptado para adequar-se aos novos tempos em que a ciência se multiplicou.

Pela doutrina do juízo as pessoas são julgadas uma única vez e absolvidas e declaradas aptas para viver eternamente, ou condenadas à sentença da segunda morte, eterna, definitiva, da qual não existe ressurreição.

O Evangelho Eterno declara que as pessoas somente podem ser declaradas justas pela justiça de Cristo. Jesus, no tribunal de Deus, apresenta Suas próprias obras em lugar do réu que O constituiu seu Advogado e Substituto, no julgamento do qual ninguém pode fugir. O sangue derramado na cruz e a vida do Criador ali oferecida representam a morte de cada pessoa que nEle confiou e aceitou o plano para sua redenção.

O sacrifício de Jesus é um sacrifício vicário ou substituto, isto é, ao comparecer ao juízo de Deus é como se cada pessoa que O aceitou como seu Advogado e Salvador houvesse também sido executada na cruz. As obras de Jesus são sobre ela imputadas e por isto é justificada diante de Deus. Contrariamente, as pessoas que recusaram o sacrifício de Jesus serão julgadas por suas próprias obras e por esta razão serão condenadas. Isto porque estas boas obras, quando apresentadas diante de Deus para justificação são consideradas como trapos de imundícia, como está escrito: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia (Isaías 64:6).

Ora, é claro que as nossas boas obras ou as nossas justiças são importantes, pois são elas a prova de nossa fé. São, mesmo, essenciais; mas não como motivo, condição ou causa para justificação diante de Deus e sim como conseqüência desta justificação. O cristão deve produzir boas obras tão naturalmente como uma árvore produz os seus frutos.

O espiritismo moderno teve, portanto, início nos Estados Unidos da América, na época já referida. Os primeiros sinais apareceram no final do ano de 1844, mas foi somente em 1848 que ele se consolidou naquele país, de onde se expandiu por todo o mundo.

Na cidade de Hydesville, Estado de Nova York, estranhas pancadas passaram a ser insistente e regularmente ouvidas na residência da família do senhor John D. Fox, no quarto de suas filhas, Margareth e Kate. Estas duas moças conseguiram manter uma conversação através de sinais convencionados, ao descobrir que os mesmos sinais eram provocados por algo ou alguém inteligente, que podia se comunicar com elas.

Familiarizando-se com o estranho foram por ele informadas de que aquele que com elas se comunicava era o espírito de um mascate que, tempos atrás, havia sido assassinado por um açougueiro, seu vizinho e conhecido, e enterrado às ocultas num dos cantos daquela mesma casa. Com a indicação do exato local foi o mesmo escavado e com grande rebuliço, surpresa e admiração encontraram ali um esqueleto que correspondia às descrições do pretenso espírito desencarnado. Levado o caso à polícia foi o mesmo investigado e o açougueiro confessou o crime praticado havia tanto tempo.

Pode-se imaginar a repercussão que este acontecimento causou em todo o país. A nova filosofia surgia com todo o ímpeto, convencendo as pessoas de todas as camadas sociais e culturais. Eram tão extraordinários e evidentes os sinais e prodígios sobrenaturais que se manifestavam que multidões se rendiam a eles por toda parte. Nas reuniões que eram realizadas para estudar estes fenômenos, mesas eram suspensas sem que ninguém as erguesse. Estrondos como tiros de canhão dentro de casa, fenômenos de levitação e manifestações de espíritos familiares ou de pretensas pessoas mortas que se comunicavam com seus parentes e conhecidos fizeram com que a nova doutrina se consolidasse e expandisse.

A nova filosofia encontrou terreno fértil na Europa e, principalmente, na França. Na cidade de Paris, em especial, ela floresceu de maneira notável. Foi ali que um professor ateu e materialista interessou-se por ela e passou a estudá-la, por curiosidade, julgando a princípio tratar-se de um caso de charlatanismo.

Hipollité Leon Denizart Rivail, o citado professor, convenceu-se logo de que os fenômenos pesquisados não eram frutos de fraudes ou quaisquer tipos de manipulação. Concluiu, sem nenhuma dúvida, que as manifestações prodigiosas tinham natureza sobrenatural e origem num poder até então desconhecido.

Ao estabelecer comunicação regular com os estranhos personagens responsáveis por aquelas manifestações, foi por eles convencido de que se tratavam os mesmos de espíritos de pessoas falecidas, que tinham a capacidade de se comunicar com certas pessoas vivas que possuíssem um dom chamado mediúnico. Mudou ele o seu nome para Allan Kardec, ao deixar-se convencer pelos pretensos espíritos , de ter vivido muitas existências anteriores e ter passado já por várias reencarnações em outras épocas.

Allan Kardec é considerado o codificador do espiritismo. Ele escreveu, instruído pelos seus ensinadores sobrenaturais, as principais obras que constituem hoje o fundamento e as normas do moderno espiritismo. Estas normas estabelecem, principalmente, a comunicação com os mortos, a doutrina da reencarnação e a imortalidade da alma. Elas se chocam frontalmente com a Palavra de Deus, que afirma: Quando vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: acaso não consultará um povo a seu Deus? Acaso a favor dos vivos consultará os mortos? (Isaías 8:19).


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É o Espiritismo Cristão?

De todas as considerações feitas a respeito do espiritismo, uma pergunta resta inevitável: É o espiritismo cristão? E mais, ainda: uma pessoa que se diz espírita pode, coerentemente, chamar-se cristã? A resposta clara, positiva e indiscutível é: Não! O espiritismo não é cristão e as pessoas adeptas de suas doutrinas, em harmonia com os seus princípios, não podem, coerentemente, chamar-se cristãs. As razões serão expostas a seguir, e são dadas exatamente pelos maiores expoentes do espiritismo mundial que declaram, eles mesmos, esta condição de não serem os espíritas cristãos.


Reconhecemos, na verdade, a existência de pessoas admiráveis que professam a doutrina espírita. São mulheres e homens, moralmente corretos, que dedicam suas vidas à prática da caridade, pessoas sinceras e dedicadas às causas sociais que, entretanto, erram na motivação de seus atos. Para pessoas como estas o apóstolo escreveu: Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus (Romanos 10: 2-3).


E a justiça de Deus é Cristo, segundo a conclusão da mensagem referida. Ora, sem Jesus Cristo, a justiça própria ou as boas obras são totalmente desprovidas de méritos para a salvação. É este exatamente o estudado estratagema e propósito de Satanás. Ele induz as pessoas a acreditar que podem se habilitar para o céu ou para o aperfeiçoamento espiritual a salvação pela prática do bem, independentemente de Jesus Cristo. Este é o maior de todos os seus enganos.


Evidentemente, se ele Satanás ensinasse a prática do mal, pessoa alguma lhe daria ouvido. A razão principal de seu sucesso na perversão das verdades do Evangelho Eterno é exatamente a mistura que faz da verdade com o erro. Exteriormente ele apresenta a necessidade de o homem praticar a justiça e a caridade, mas afirma a desnecessidade de Jesus Cristo para a salvação.


Ele apresenta exatamente um veneno mortal com o rótulo de remédio salvador. Quanto mais o erro, a mentira e o engano têm a aparência da verdade, tanto mais perigosos eles são para as almas desprevenidas.


As pessoas que assim são enganadas podem adequadamente dizemo-lo com todo o respeito ser comparadas com um animal cuidadosamente criado e preparado para ser o prato principal de uma ceia familiar. O animal um peru ou uma galinha por exemplo, não sabe que está sendo bem cuidado e alimentado, para um fim que desconhece, mas que inevitavelmente é a morte.


Se este animal pudesse raciocinar, certamente imaginaria que aquele que o alimentava e criava era um seu benfeitor. Mas, na realidade ele é o seu algoz. Assim é o espiritismo, a obra-prima de todos os enganos do inimigo de Deus e dos homens. Através dele, muitas pessoas moralmente corretas, bons cidadãos, poderão perder a salvação, a vida eterna. As boas obras, repetimos, não são motivo suficiente para romper o abismo aberto pelo pecado e que separa o homem da comunhão com Deus. Unicamente através de Jesus pode o homem dar o salto sobre o abismo e restabelecer esta comunhão com o Pai. Somente então poderá obter, pelos méritos de Cristo, a vida eterna, ou seja, a condição de imortalidade, na ressurreição, por ocasião da volta de Jesus a este mundo.


O espiritismo nega a divindade de Jesus, o Seu sacrifício expiatório e a inspiração das Sagradas Escrituras. Nega, também, o Espírito Santo, o juízo, a ressurreição e a salvação pelos méritos de Cristo. São contraditórios os seus testemunhos a respeito dos ensinamentos de Jesus Cristo e da religião que Ele ensinou.


A respeito da Bíblia Sagrada, que desmascara Satanás e condena o espiritismo, é compreensível que o inimigo de Deus tenha nela o alvo maior de seus ataques. Reconhecendo que o espiritismo não é Cristianismo e depreciando a origem e natureza da Bíblia, eis o testemunho de um dos expoentes do pensamento espírita: Nem a Bíblia prova coisa nenhuma e nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras, nem rodopia junto à Bíblia. Nossa base é o ensino dos espíritos, e daí o nosso nome, espiritismo (EMBASSAHY, Carlos, À Margem do Espiritismo, 2. ed., p. 219).


O periódico O Reformador , um dos principais porta-vozes do pensamento e doutrinas espíritas é veemente no seu desprezo pela Palavra de Deus e na negação de sua divina inspiração: Do Velho Testamento tiramos o Decálogo; do Novo apenas a moral de Jesus. Já consideramos de valor secundário, ou revogado, ou sem valor, noventa por cento do texto da Bíblia (Edição de janeiro de 1953).


O espiritismo nega o Espírito Santo. Os seus ensinamentos são taxativos na afirmação de ser, ele mesmo o espiritismo a personificação da promessa de Jesus, a respeito do Consolador, como está escrito, na Bíblia Sagrada: Mas, quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, Aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim (S. João 15:26).


Eis o que diz a Palavra de Deus, através do apóstolo S. Paulo, ao escrever aos cristãos, a respeito do Evangelho de Jesus Cristo e do surgimento de outros evangelhos espúrios: Maravilho-me que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho. O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que vos tenho anunciado, seja anátema (Gálatas 1:6-8).


Existe um outro evangelho, realmente, anunciado não por um anjo do céu, mas pelo anjo rebelde e inimigo de Deus. Este evangelho é conhecido oficialmente pelo nome de O Evangelho Segundo o Espiritismo . De acordo com a Bíblia Sagrada a Palavra de Deus este evangelho é anátema. A prova de ser ele inspirado pelo inimigo de Deus está nos seus ensinamentos, que negam, contrariam, contradizem e se chocam com os ensinamentos de Jesus Cristo e dos Seus apóstolos.


A respeito do Espírito Santo e da promessa de Jesus, assim se manifesta o evangelho do Enganador: Jesus promete um outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo não conhece ainda, porque não está maduro para compreendê-lo, que o Pai enviará para ensinar todas as coisas, e para fazer recordar aquilo que o Cristo disse. Se, pois, o Espírito de Verdade deve vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não disse tudo; se ele vem recordar aquilo que o Cristo disse, é porque isso foi esquecido ou mal compreendido (KARDEC, Allan, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo VI, item 4).


Na seqüência do texto citado está expresso o grande engano: O espiritismo vem, no tempo marcado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside à sua instituição, chama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas em fazendo compreender o que o Cristo não disse senão por parábolas. O Cristo disse: Que ouçam os que têm ouvidos para ouvir’, o Espiritismo vem abrir os ouvidos, porque fala sem figuras e sem alegorias; ele ergue o véu deixado propositadamente sobre certos mistérios, vem, enfim, trazer uma suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos aqueles que sofrem, dando uma causa justa e um fim útil a todas as dores . Assim, o espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, que faz o homem saber de onde vem, para onde vai e porque está na Terra; chamamento aos verdadeiros princípios da lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança (Idem).


Então, concluindo, o Espírito Santo não é uma pessoa, mas a própria doutrina, o próprio espiritismo, de acordo com a sua blasfema pretensão.


O espúrio evangelho já mencionado, no seu primeiro capítulo, traz as seguintes afirmações, no tópico Eu não vim destruir a lei As três revelações: Moisés, Cristo, o Espiritismo Aliança da Ciência e da Religião Instruções dos Espíritos: A era nova: A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento está personificada no Cristo; o Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificada em nenhum indivíduo, porque ele é o produto de ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu, sobre todos os pontos da Terra, e por uma multidão inumerável de intermediários... (Ibid., Capítulo 1, item 6).


Ora, no texto citado Jesus Cristo é colocado ao nível de Moisés e ambos abaixo dos espíritos e do espiritismo, o que está em harmonia com os ensinos desta doutrina. Na obra Kardecismo e Umbanda , de Cândido Procópio Ferreira, está manifesto este seu pensamento: Os espíritas consideram Cristo a maior entidade encarnada que já veio à Terra, mas somente homem e não Deus (destaque acrescentado). E a respeito da inumerável multidão de intermediários , antes citada, a Palavra de Deus é enfática: Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem (I Timóteo 2:5).


O principal dogma do Cristianismo, a justificação pela fé no sacrifício expiatório de Jesus é jogada por terra nos argumentos dessa doutrina anticristã. Questionado se Jesus poderia salvar a humanidade, através de Seu sacrifício na cruz, um dos maiores vultos do espiritismo mundial respondeu, categoricamente: Não. A missão de Cristo não era resgatar com o sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo da ignorância e do mal. Nada exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo (DENIS, Leon, Cristo e o Espiritismo, 5. ed., p. 55).


Corroborando este pensamento, o periódico O Reformador , já mencionado, declarou em sua edição de 1955, p. 236: A salvação não se obtém por graça, nem pelo sangue derramado por Jesus no madeiro, mas a salvação é ponto de esforço individual que cada um emprega na medida das suas forças .


Esta é a essência do pensamento pagão e babilônico da salvação pelas próprias obras, cuja origem e inspiração provêm do próprio Satanás, o Adversário de Deus , expulso do Céu, a respeito de quem está escrito: E houve batalha no céu: Miguel e os Seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na Terra, e os seus anjos foram lançados com ele (Apocalipse 12:7-9).


Certamente que as referências já mencionadas seriam suficientes na afirmação de que o espiritismo não faz parte do Cristianismo, pela negação de todas as suas doutrinas mais elementares e fundamentais. Entretanto, é necessário que se façam conhecidas algumas das posições de uma das mais recomendadas obras do espiritismo, que tem por título Roma e o Evangelho e que, segundo seus próprios dizeres, engloba os estudos filosófico-religiosos e teórico-práticos feitos pelo Círculo Cristiano Espiritista de Lérida, resumidos e publicados por D. José Amigó Y Pellicér, em sua 7ª edição, publicado pela Federação Espírita Brasileira, que se auto-intitula a Casa-Máter do Espiritismo .


A obra citada coleciona os ensinamentos dos pretensos espíritos de expressivas personalidades da História que viveram em diversas épocas. Destacamos, dentre estes, a seguir, os ensinamentos que eles afirmam ter sido enviados pela própria mãe de Jesus, enquanto homem, a Virgem Maria. Eis a afirmação do próprio espírito , que afirma ser Maria: Não duvideis que é Maria que vos fala, a mulher ditosa que trouxe em seu ventre o celestial Enviado, o Fundador da religião divina, que julgais professar, masque não professais como devíeis (Ob. cit., p. 155).


Maravilhados pela revelação, os receptores da mensagem relutavam em acreditar que fossem dignos de tão elevada honra, afirmando: Como poderíamos nós, míseras criaturas, vencidas cada dia centenares de vezes nas tentações e nas provas, como poderíamos crer-nos dignos de receber diretamente as inspirações da Mãe de Jesus! Estávamos como que atordoados, sem poder explicar o que se dava conosco e sem nos atrevermos a julgar fatos, de cuja realidade, por outro lado, não nos era permitido duvidar. Em tal estado, veio novamente Maria na comunicação número 20, desvanecer as causas do nosso espanto e receios (Ibid., p. 135).


Atordoados, como bem reconhecem, e sem poder explicar tão grande privilégio, os depositários destas mensagens afirmam: O que poderíamos acrescentar que não fosse pálido e descorado ao lado da fluidez do estilo e da profundeza dos conceitos que se ostentam nas preciosas linhas inspiradas pela mãe do Redentor? Bendizemos mil vezes a Providência, por haver-nos concedido, sem merecê-lo, uma jóia de preço inestimável, e um escudo em que se embotarão as setas envenenadas dos inimigos e detratores do Cristianismo Espírita, ou, falando com mais propriedade, do Cristianismo de Jesus! (Ibid., p. 156 destaques acrescidos).


Ora, do texto citado podemos destacar duas enormes contradições: primeiramente, se o espiritismo não reconhece os méritos de Jesus para redimir o pecador, como pode explicar o fato de chamá-lo de Redentor , como no texto acima? E mais, se ele não se considera um ramo do Cristianismo, como justificar a sua afirmação e pretensão declarada de ser o verdadeiro Cristianismo, ou Cristianismo Espírita ou, ainda, Cristianismo de Jesus ?


Não se podem negar, na realidade, as grandes contradições que esta filosofia, religião, ou como quer que se nomeie, abriga em seu seio. Mas os ataques aos límpidos princípios do verdadeiro Cristianismo bíblico atingem dimensões chocantes, ao se manifestarem as afirmações provenientes do espírito que se auto-rotula como sendo Maria. Nega ele o conceito bíblico dos demônios, anjos rebelados, e do diabo.


Eis o que este espírito enfaticamente afirma: O diabo existe, é certo; mas não o diabo, negação da onipotência, da misericórdia e da justiça de Deus. Existe, porém, não personificado em um ser imundo e abominável, destinado a fomentar perpetuamente o mal, a lutar vitoriosamente com a origem do bem, e a destruir quase todos os efeitos permanentes, e sempre vivos, da redenção. O diabo da seita romana, que não passa de uma alegoria, literalmente interpretada, é uma afirmação atéia, porque supõe em Deus, que é e não pode deixar de ser o Pai e causa espontânea das criaturas, fraquezas e sentimentos de que vos envergonharíeis, embora não exerçais a paternidade senão pela carne e em virtude de superior delegação. Os diabos são: o egoísmo, a impureza, o orgulho, a avareza, os ódios, as hipocrisias, as paixões e os sentimentos que revoluteiam dentro do círculo da liberdade humana (Ibid., p. 142).


Este espírito enganador que se faz passar pela mãe de Jesus não se limita a afirmar que o diabo é somente uma alegoria, uma representação simbólica, mas afirma que também Adão não foi uma pessoa, mas é também uma representação que simboliza toda a raça humana. Mas, o mais pernicioso de todos os enganos é o que nega o sacrifício de Jesus em favor da humanidade. Eis a seqüência dos seus ensinamentos : Um erro arrasta, em geral, a uma série de erros; pois, só por este modo se pode sustentar e perpetuar o primeiro. O dogma errôneo do diabo suscitou o dogma, não menos errôneo, do inferno a falsa doutrina da redenção da humanidade em Jesus Cristo um dogma absurdo sobre o perdão dos pecados e, destes, outros erros, não menos transcendentais (Ibid., pp. 145-146 destacamos).


Continuando a desfiar a sua oposição aos princípios bíblicos, o Inimigo da Verdade, como fizera na primeira mentira quando se incorporou na serpente no Éden e enganou a raça humana, semelhantemente faz-se passar por outra pessoa, com o propósito de arruinar e desviar a todos do único e verdadeiro caminho para sua redenção.


Sugere ele que a doutrina da redenção foi inventada para consolar aqueles que acreditassem em outra doutrina absurda, a do inferno eterno. Eis suas palavras: Resolvido pela morte o problema do destino das almas, de maneira definitiva, sem esperanças, necessário se fazia, já que ficava para sempre cerrada aos Espíritos a porta do arrependimento e da reparação, levar um consolo aos homens, que, doutro modo, teriam fatalmente caído no desespero; e este consolo foi-se buscar na falsa explicação da redenção por Jesus Cristo, falsa, como falso era o motivo que a fizera necessária, impossibilitando o homem de purificar-se e reabilitar-se aos olhos de Deus, por meio da reparação das faltas e males cometidos e ocasionados na vida (Ibid., p. 148. destacamos).


Na seqüência destas afirmações está a mais eloqüente negação dos princípios da Palavra de Deus, que fere exatamente o âmago do plano da redenção elaborado por Deus e expresso na Bíblia Sagrada, que é a justificação pela fé. Nesta doutrina está manifesto que através de um único homem, Adão, entrou o pecado e a morte no mundo. Por outro lado, também por um único homem, Jesus, entrou a justiça e a vida.


Está escrito: Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram . Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos foram feitos justos (Romanos 5:12 e 19).


A Bíblia Sagrada não deixa nenhuma dúvida a respeito deste tão importante assunto: Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem. Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo, na Sua vinda (I Coríntios 15:20-23).


Portanto, fica absolutamente claro que algo ou alguém combate encarniçadamente as doutrinas fundamentais do Cristianismo. E aquele que toma partido a seu lado não pode, realmente, dizer-se cristão. Eis como o espírito que declara ser a mãe de Jesus manifesta o seu ensinamento a respeito do texto bíblico acima registrado: Dentro deste ensino, dentro desta redenção, cabe a idéia absurda de que pode um homem ser causa ocasional da condenação de milhares, e que, reparando tão graves ofensas e incalculáveis males, pode apresentar-se justificado à suprema Justiça. Nem isto é bom e justo, nem a redenção, tal como Roma (o Cristianismo) a explica, é concebível. Adão não é uma personalidade; é o tipo de uma raça humana que, havendo conseguido pelos sempre sábios desígnios da Providência, habitar mundos superiores ao vosso, pecou por orgulho e por egoísmo, abusando, em proveito próprio, da natural benevolência dos que a haviam recebido como raça irmã (Roma e o Evangelho, p. 148 destaques acrescentados).


Para quem não conhece os princípios do Evangelho Eterno, estas palavras podem não causar o impacto que certamente motivará o assombro do estudioso das Escrituras, por tantas e tão graves blasfêmias proferidas contra Deus, Suas verdades eternas e Jesus Cristo. Este tão grande atrevimento se acentua na continuação do desvario apóstata: Jesus Cristo não podia, nem quis assumir, nem assumiu todas as responsabilidades individuais, contraídas e por contrair, emanadas dos pecados dos homens e muito menos podia, pelo sacrifício da sua vida, remir a humanidade da pena do desterro a que fôra condenada . A redenção da humanidade não se firma, pois, nos méritos e sacrifícios de Jesus, e, sim, nas boas obras dos homens (Ibid., p. 150. destacamos).


Finalizando as citações da malfadada obra, transcrevemos para o conhecimento e a repulsa dos que verdadeiramente abraçaram a fé de Jesus, a prova da inimizade do autor do espiritismo para com o Autor da vida e da verdade: E, como aquela esperança se desvanecia para o pecador no destino definitivo da sua alma, houve necessidade de fazê-lo compreender que ali, aonde não pudesse chegar sua expiação e os seus méritos pessoais, chegariam, por obra do arrependimento, a expiação e os méritos de Jesus. Que cegueira! Quanta aberração! Supor e afirmar que os sofrimentos e a morte do Justo foram ordenadas do Alto, em expiação dos pecados de todos, é a mais orgulhosa das blasfêmias contra a justiça do Eterno. Deus não só fez tudo bem, como fez tudo melhor, e é uma verdade evidente que, fazer recair sobre quem não delinqüiu a expiação de faltas por outros cometidas, assim como levar em conta os méritos espirituais de um para a salvação de outro, não é o melhor, nem mesmo o bom, tanto na divina como na humana justiça. Esta exige, quanto for possível, a reparação do malfeito e a conseqüente expiação e é o melhor que tem a justiça dos homens. E havia de falhar, de maneira completa e absoluta, a justiça de Deus? (Ibid., p. 151).


Tais são os ensinamentos do espiritismo a respeito da justiça divina, a completa negação dos princípios bíblicos. Pode um espírita realmente dizer-se cristão, em harmonia com estes princípios, se ele os renegar? Realmente, não. E deve ser motivo de reflexão para todo aquele que, sinceramente, por alguma razão, talvez por desconhecimento das sagradas verdades ensinadas pela Bíblia, têm defendido e professado aquelas falsas doutrinas.


Inúmeras pessoas, por ignorância da verdade, têm trilhado este perigoso caminho que pode levá-las à eterna perda, da qual não existe retomo.


As boas obras, apenas, são insuficientes para a salvação eterna é necessário que se repita. Pessoas há a exemplo do falecido médium brasileiro Francisco Cândido Xavier, considerado um dos maiores e mais completos médiuns em todo o mundo, que são levadas pelos enganos do inimigo da verdade. A alegação de sua sinceridade na prática do erro não as justificará diante do tribunal de Deus, porquanto a verdade existe e está oferecida a todos, livremente.


A graça é estendida a quem dela quiser se apropriar. Entretanto, pessoas como Chico Xavier, como é mais conhecido o médium citado, têm levado milhares e mesmo milhões de pessoas ao abismo da perdição, à ruína eterna, por recusarem-se a conhecer e aceitar as verdades que os poderiam conduzir ao lar eterno. Ensinando o erro eles tornam-se, também, responsáveis diante de Deus pelos males causados por suas falsas doutrinas.



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A Natureza do Homem e a Bíblia - Parte I

A doutrina da imortalidade inerente da alma deu lugar não apenas ao surgimento de toda forma de paganismo, no passado, mas também ao reencarnacionismo espírita, à adoração dos santos católicos e de doutrinas como o inferno e o purgatório, à venda de indulgências e relíquias de santos e a religião baseada em ritos e superstições, com que as consciências foram terrivelmente coagidas, especialmente na Idade Média.

De acordo com a Bíblia Sagrada, somente Deus tem a imortalidade. Esta verdade é manifesta na seguinte recomendação de Paulo: Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; Aquele que tem, Ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível... (I Timóteo 6:14-16).

O homem foi criado para ser também imortal, mas sob condição de obediência. Desobedecendo a Deus, teve mudada sua natureza e passou a ser mortal, condição decorrente da sentença proferida no Éden. A condição de mortalidade abrange a totalidade do ser e não apenas uma parte, como se tivesse que morrer apenas uma parte e outra não. A sentença divina foi taxativa: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás (Gênesis 3:19).

O homem foi feito do pó da terra, como está escrito: E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente (Gênesis 2:7). A compreensão deste texto inicial é indispensável para o perfeito entendimento deste tema de fundamental importância do ensinamento bíblico. Existem, na composição da estrutura que formou o homem, três elementos que devem ser estudados separadamente e devidamente compreendidos.

Em primeiro lugar destacamos o corpo, matéria orgânica sem vida, que foi feito do pó da terra. A este respeito não existe nenhuma dúvida, porquanto o relato é simples e claro. Portanto, o corpo é simplesmente o pó da terra, ou o barro do qual ele foi moldado.

Em segundo lugar, o relato é também simples e claro na afirmação de que foi assoprado por Deus o fôlego de vida ou espírito, que é a fagulha vital, o princípio de vida, nas narinas daquela estrutura que Ele esculpiu e ainda não tinha vida. Tanto o original grego quanto o hebraico ou, mesmo, o sânscrito e outros idiomas antigos indicam, para esta palavra espírito o mesmo significado: ar, sopro, vento, alento.

Em terceiro lugar a Palavra de Deus deixa claro, ainda, que o homem se transformou, então, numa alma vivente. Ora, o que significa, pois, a palavra alma ou alma vivente ? Segundo a Bíblia Sagrada, a alma é um corpo vivo, ou seja, ela é a resultante de um corpo sem vida, acrescido do espírito, ou fôlego de vida. Uma alma vivente, segundo a Palavra de Deus é, portanto, um corpo vivo.

Ao ser executada no homem a sentença decorrente do pecado, foi o homem privado da vida eterna. Seu destino certo passou a ser a morte. Ainda que pudesse viver por um breve período, o destino comum e inevitável de todo homem passou a ser a sepultura ou, conforme sua forma original grega e hebraica, o hades ou sheol.

A única esperança de vida para o homem é a que Deus, pela graça, ou seja, pela Sua infinita misericórdia, oferece através da ressurreição do último dia. Enquanto não chega este dia glorioso em que os mortos que aceitaram o plano de Deus vão retornar à vida pela ressurreição, todos continuam exatamente como foram colocados nos seus túmulos.

Não existe consciência na morte. Ela, a morte, é comparada por Deus, através de Sua Palavra, a um sono profundo e sem sonhos. Ao morrer, o homem tem interrompidas todas as formas de ligação com a vida. Ele volta ao estado original, ao pó da Terra. Seu corpo é decomposto nos elementos de que foi formado, e é como se nunca tivesse existido. A morte é a completa ausência da vida. É a conseqüência do pecado, como está escrito: Porque o salário (ou conseqüência) do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, (oferecida) por Cristo Jesus Nosso Senhor (na ressurreição) (Romanos 6:23 parênteses acrescentados, para melhor compreensão).

Expirar é uma palavra sinônima de morrer . Ao falecer uma pessoa costuma-se dizer que ela expirou . A mesma palavra refere-se, também, ao ato de expelir-se o ar dos pulmões. Tudo isto está em harmonia com os ensinos da Palavra de Deus, que declara: ... porque o homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu (Eclesiastes 12:5-7).

O espírito, ou fôlego, volta a Deus, que o deu, assim como a energia de uma lâmpada retorna à sua fonte geradora a hidrelétrica ao ser desligada, apagada. A figura da lâmpada pode ser adequadamente utilizada para se fazer uma comparação entre a vida energia vital e a luz energia elétrica. A lâmpada apagada é como um corpo morto, sem vida. Ao ser acionado um comutador numa tomada, recebe a energia, como o corpo recebe o espírito ou fôlego, e se transforma numa lâmpada acesa.

O corpo se transforma numa alma, ou alma vivente. Desligando-se a fonte de energia ou de vida, a lâmpada acesa volta a ser uma lâmpada apagada, sem energia, e o corpo volta a ser um corpo inanimado, sem vida. A energia volta, respectivamente, para a usina a elétrica e para Deus, a energia vital. Repetindo, o corpo somado ao espírito ou fôlego, é igual a uma alma, alma vivente.

Diversos textos corroboram esta verdade que brota da lógica da Palavra de Deus e não dos argumentos do seu inimigo. Veja-se a súplica e a declaração de Jó: Peço-te que te lembres de que como barro me formaste, e de que ao pó me farás tornar (Jó 10:9). Enquanto houver alento, e o sopro de Deus no meu nariz (Jó 27:3). Corretamente interpretadas, estas palavras de Jó podem ser perfeitamente substituídas por outras com o mesmo sentido, ou seja, enquanto houver vida em mim .

Conclusão idêntica leva à observação de outros textos do mesmo patriarca: O Espírito de Deus me fez, e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida (Jó 33:4). Se Ele pusesse o Seu coração contra o homem, e recolhesse para Si o Seu espírito, e o Seu fôlego, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó (Jó 34:14-15).

Ao excluir Adão e a sua descendência do Éden e privá-lo do fruto da árvore da vida e da imortalidade, o propósito misericordioso de Deus foi o de livrá-lo de uma vida interminável submetida à maldição do pecado. Ao invés de ser a vida uma bênção e um dom, seria uma penosa carga, uma grande maldição.

A primeira manifestação da graça e redenção foi comunicada a Adão, ainda no Éden. Pela sentença pronunciada sobre Satanás, Deus manifestou que o poder do inimigo seria quebrado. Eis a declaração do Senhor: E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar (Gênesis 3:15). Esta sentença abrange a história da mulher simbólica, a igreja de Deus, cuja semente Jesus esmagaria a cabeça da serpente, Satanás.

Também para o homem veio a sentença inexorável, da qual ele não poderia escapar: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás (verso 19). As providências de Deus para a completa execução da sentença estão expressas nos versos seguintes: E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de peles, e os vestiu. Então disse o Senhor Deus: eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida e coma e viva eternamente; o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fôra tomado e havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida (versos 21-24).

Ora, está claramente definido pelo texto da Palavra de Deus que as providências por Ele tomadas cerraram ao homem a possibilidade de o mesmo viver eternamente, tornando-se ele, então, um ser mortal.

A maldição que sobreveio ao homem atingiu também toda a criação. Todos os animais, semelhantemente à natureza humana, passaram à condição de mortais e a ter o mesmo destino, sem nenhuma diferença, como afirma a Palavra do Senhor: Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma (...) Todos vão para um mesmo lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão (Eclesiastes 3:19-20).

Conforme esta mesma Palavra, todos têm um mesmo destino e se igualam na morte, por maior sabedoria, honra ou poder que alguém possa ter tido em vida. Eis a afirmação: Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece; porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais que perecem (Salmo 49:16-17 e 20).

Os mortos, segundo a Bíblia Sagrada, nem ao menos sabem que morreram; eles simplesmente deixaram de existir, não tendo conhecimento de nada, nem consciência de coisa alguma, conforme declara a Palavra de Deus: Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma que se faz debaixo do sol. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9:5-7).

É uma grande e terrível mentira, um engano fatal aquele em que o inimigo de Deus induz a pensar que, após a morte, as pessoas vão para um lugar de castigo ou, então, para o céu, lugar de gozo e louvor a Deus. A Bíblia Sagrada é veemente ao desmentir esse pensamento: Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura Te louvará o pó? Anunciará ele a Tua verdade? Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio (Salmo 30:9 e 115:17). Porque não pode louvar-Te a sepultura, nem a morte glorificar-Te; nem esperarão em Tua verdade os que descem à cova. Os vivos, os vivos, esses Te louvarão como eu hoje faço; o pai aos filhos fará notória a Tua verdade (Isaías 38:18-19).

Ao sobrevir a morte, no mesmo instante são desfeitos todos os pensamentos, todos os sentimentos e todas as ambições: Não confieis em príncipes, nem em filhos de homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos (146:3-4).

O salmista, reconhecendo que todos os dons provêm de Deus, reconhece também que o dom maior, o dom da vida, também repousa nas mãos do Senhor, segundo suas palavras: Todos esperam de Ti que lhes dês o seu sustento em tempo oportuno. Dando-lho Tu, eles o recolhem; abres a Tua mão, e enchem-se de bens. Escondes o Teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó (Salmo 104:27-29).

Não pode pairar nenhuma dúvida para o pesquisador sincero e sem preconceito, de que a morte é um sono do qual todos despertarão no futuro, através da ressurreição. A experiência da ressurreição de Lázaro não deixa dúvidas a este respeito. A Bíblia Sagrada relata esta tocante experiência, na qual Jesus manifestou o Seu poder divino.

Adoecendo Lázaro gravemente, suas irmãs, que em muitas ocasiões haviam hospedado o Salvador e com Ele mantinham uma amizade especial, enviaram mensageiros com a súplica para que os socorresse nessa emergência. Jesus, propositadamente retardou por vários dias a Sua visita, desesperadamente ansiada. Quando julgou oportuno chamou os Seus discípulos e dirigiu-Se àquele lar, mas somente após a morte do seu amigo.

Eis o relato: Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram pois os Seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto (S. João 11:11-14).

Os discípulos não podiam compreender a atitude do Mestre e estranharam profundamente o fato de Ele haver permitido a morte do amigo, com aparente indiferença. Continua o relato bíblico: Chegando pois Jesus achou que já havia quatro dias que estava na sepultura (verso 17). Desconsolada, mas esperançosa, uma das irmãs do morto dirigiu-se a Jesus, conforme o relato sagrado: Disse, pois Marta a Jesus: Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus Te concederá (versos 21 e 22).

Eis a continuação do seu diálogo: Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto? Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo (versos 23 a 27).

Surpresa e preocupada Marta ouviu a ordem de Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-Lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram pois a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças Te dou, por Me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas Eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que Tu Me enviaste. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse -lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir (versos 39 a 44).

Está absolutamente claro o ensinamento do próprio Senhor Jesus, quando Ele compara, de forma direta e positiva, a morte com o sono. Desta experiência devem ser tiradas algumas conclusões de grande importância.

Em primeiro lugar Jesus dirigiu-Se se a Lázaro como estando ele no túmulo e não em outro lugar qualquer. Lázaro, sai para fora , foi a Sua ordem, prontamente atendida pelo morto.

Em seguida, cabe a reflexão: se Lázaro estivesse em algum outro lugar de gozo ou de tormentos o chamado de Jesus teria sido uma injustiça, inaceitável para o Juiz de toda a Terra . Isto, porque teria sido uma maldade chamá-lo do paraíso, se lá estivesse para retornar a um mundo de sofrimentos e de tribulações. Por outro lado, seria uma arbitrariedade inconcebível trazê-lo de volta do inferno de sofrimentos, se tal lugar existisse e a ele estivesse condenado.

Seria uma atitude arbitrária, não se levando em conta outros que lá estivessem e que não teriam a mesma oportunidade. Mas, o fato para o qual desejamos chamar a atenção é a comparação que Jesus fez da morte com o sono e, ainda, que Lázaro ressuscitou para retomar a sua vida normal, aqui na Terra, não tendo o seu corpo transformado, como acontecerá na ressurreição do último dia.

Confirmando os conceitos já expressos pela Palavra de Deus é interessante o registro de outros textos que consolidam estas afirmações, como o que se refere ao destino e condição do justo Davi, considerado pelo próprio Deus como o homem cujo coração era semelhante ao Seu. Pedro testemunhou: Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura . Porque Davi não subiu aos céus... (Atos 2:29 e 34). Isto significa que Davi, assim como todos os outros justos falecidos aguardam dormindo, no pó da terra, a ressurreição do último dia, o dia da volta de Jesus.

Confirmando ser a morte um sono, eis o registro dos últimos momentos de outro justo, Estevão, o primeiro mártir cristão, morto por defender sua fé: E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu (Atos 7:70).

A morte reinou absoluta desde Abel, o primeiro homem a morrer, até Moisés, o primeiro homem a ressuscitar, como está escrito: No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés... (Romanos 5:14). Ora, de acordo com a sentença divina, nenhum homem poderia ressuscitar, antes de ser satisfeita a condição imposta pela transgressão, ou seja, o oferecimento da vida do próprio Criador em lugar da vida do homem.

Por esta razão é que Satanás não quis admitir que Moisés fosse trazido à vida, para nunca mais morrer, tendo recebido o corpo imortal e glorioso com que viverá para toda a eternidade. Indignado, Satanás contendeu com Jesus a este respeito, certamente argumentando que tal atitude estava em desarmonia com a justiça de Deus. Jesus poderia ter argumentado inúmeras coisas em favor do Seu ato, até mesmo o fato de que o objeto do Seu cuidado o corpo em disputa havia morrido por culpa de sua maldade e rebelião.

Eis o que diz a Palavra de Deus: Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: o Senhor te repreenda (Judas 9).

Jesus ressuscitou a Moisés como penhor do Seu sacrifício futuro. Caso houvesse falhado no Seu propósito e certamente Moisés teria que voltar a morrer, para manter a harmonia da Palavra e a dignidade da justiça de Deus. Não há dúvida de que a disputa por Moisés se dava por causa de seu retorno à vida, pois se assim não fosse, é notório que um corpo morto para nada se aproveita e não daria causa a esta contenda. A falha de Jesus acarretaria, também, a morte de outros dois personagens que não a experimentaram: Enoque e Elias. Eles foram transformados e arrebatados para o Céu, para o reino de Deus, sem passar pela morte.

A palavra arcanjo significa superior aos anjos e é em muitos textos nas Escrituras usada para referir-se ao Filho de Deus. Igualmente referindo-se a Ele a palavra Miguel significa semelhante a Deus .

Em harmonia com a natureza mortal do homem está o texto que relata a transfiguração de Jesus, nos Evangelhos. Naquela ocasião, foi mostrado a três dos seus discípulos um vislumbre do Reino de Deus. Pedro, Tiago e João, dirigindo-se com o Mestre a uma montanha, puderam contemplá-Lo na Sua glória. Juntamente com Ele puderam ver, também, Moisés e Elias, que bem representam a condição de todos os seres humanos que herdarão a salvação.

O primeiro, representando aqueles que, tendo morrido, voltarão à vida pela ressurreição; e o segundo os que não experimentarão a morte, mas que, como ele, serão transformados e trasladados para a vida eterna.

Este acontecimento havia sido predito por Jesus seis dias antes, quando falou a Seus discípulos: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder (S. Marcos 9:1). E assim se cumpriu o que Jesus anunciara: E seis dias depois Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou a sós, em particular, a um alto monte; e transfigurou-Se diante deles (verso 2).

Portanto, julgamos esclarecida a questão da natureza humana. Todo ser humano tem como destino inexorável a morte, da qual somente se livrarão, na ressurreição do último dia, os que aceitarem o sacrifício de Jesus e tiverem o seu caráter por Ele modelado, transformados pelo poder do Espírito Santo e preparados e adaptados para o Seu reino.

Não existe esperança de vida para o impenitente, como está escrito: Tal como a nuvem se desfaz e passa aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá . Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita perecerá (Jó 7:9-10 e 8:13).

Mas se não existe esperança para o hipócrita, outra é a situação daquele que espera em Deus, confiante na justiça de Cristo. A pergunta que resta está contida no texto seguinte da Palavra de Deus: Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está? Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota e fica seco, assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus não acordará nem se erguerá de seu sono. Oxalá me escondesses na sepultura (hebraico seol), e me ocultasses até que a Tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e Te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? (Jó 14:10-14).


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