O homem, ao sair das mãos do seu Criador era de um pujante intelecto. Enquanto se mantivesse obediente aos desígnios do seu Deus, esta condição certamente ser-lhe-ia preservada, em toda a sua plenitude. A perpetuação da vida fora condicionada à obediência à palavra do Senhor.


Como eram, no princípio, os hábitos alimentares do homem? Inicialmente, inexistindo a morte, é fora de dúvida que o homem não se alimentava da carne dos animais. Então, de quê se alimentava ele? Diz o registro sagrado: “E disse Deus: eis que vos tenho dado toda a erva que dá semente, que está sobre a terra; e toda a árvore, em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á por mantimento” (Gênesis 1:29).


Todos os animais da Terra, semelhantemente, pelas mesmas razões, teriam um regime de vegetais: “E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento. E assim foi” (Gênesis 1:30).


Mudando-se a natureza do homem por causa do pecado, tornou-se ele um ser mortal. Irrompendo em rebelião e apostasia contra o seu Criador, acarretou sobre si a destruição provocada pelo Dilúvio. Apenas poucas pessoas de uma família foram escolhidas por Deus para preservar a espécie e repovoar o mundo, a fim de que não se extinguisse a esperança da redenção prometida.


Mandou o Senhor que se construísse uma grande arca e determinou: “de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, meterás na arca, para os conservares vivos contigo; macho e fêmea serão” (Gênesis 6:19). Entretanto, estabeleceu Ele, de maneira significativa, uma diferença entre os animais que seriam alojados na arca: “De todo o animal limpo tomarás para ti sete e sete, macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea” (Gênesis 7:2). Por que esta distinção? Qual era o critério para estabelecer-se esta diferença entre animais limpos e não limpos? Qual seria o propósito do Criador em diferenciá-los? Estas respostas aparecerão, naturalmente, na seqüência destes estudos.


Os catastróficos resultados do Dilúvio tiveram como conseqüência não apenas a destruição de toda a vida animal, mas também a de toda a espécie vegetal que constituía a alimentação provida por Deus ao homem. Por esta razão, o Senhor autorizou que o homem passasse a se alimentar dos animais que havia preservado, mas com uma restrição: “Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. A carne, porém, com a sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis” (Gênesis 9:3-4). Adiante ver-se-á a causa de serem preservados sete casais de cada animal considerado “limpo” e apenas um casal dos “não limpos”.


Muitos séculos depois o Senhor repetiu a mesma proibição com respeito a comer-se o sangue (Levítico 7:22-27), naturalmente por alguma razão de natureza sanitária. Certamente que o Senhor conhece plenamente a estrutura do ser que criara, sabendo o que lhe seria nocivo à vida e à saúde. Esta é a grande razão por quê Deus determinou aos Seus filhos as leis de saúde para que, obedecendo-as, pudessem manter a saúde e obter uma melhor qualidade de vida.


As leis de saúde não se limitavam apenas ao regime alimentar, mas continham regras de higiene e conselhos para a prevenção e profilaxia de doenças, conselhos estes que assombram a medicina e a ciência contemporâneas, pela sua absoluta propriedade e adequação.


Dentre estes conselhos podemos destacar alguns, como os que se referem à purificação da mulher depois do parto (Levítico 12:1-8), as leis acerca da praga da lepra (Levítico 13:1-59), as imundícias do homem e da mulher (Levítico 15:1-33), a proibição do contato sexual durante o período menstrual (Levítico 18:19). Tudo que era necessário para que não lastrassem epidemias, contágio de doenças, contatos com cadáveres ou pessoas enfermas, foi dado pelo Senhor, inclusive o uso de máscaras higiênicas, como ainda hoje são usadas. Todos os conselhos foram dados para o bem dos homens.


Os principais conselhos são referentes ao regime alimentar e à proibição daquilo que, segundo o Criador sábio e misericordioso, seria prejudicial à saúde do homem, com o que a ciência moderna concorda integralmente.


Ao permitir ao homem que se alimentasse da carne dos animais Ele estabeleceu a relação dos que se podem comer e dos que não se devem comer, conforme relatado em Levítico 11:47. Dentre alguns animais que o Senhor proibiu estão o coelho, a lebre, o porco, peixes de couro, répteis, animais de rapina, o morcego, a doninha, o rato, o lagarto, a lagartixa, a lesma.


A medicina é taxativa em afirmar que a ingestão da carne de qualquer destes animais é prejudicial à saúde. Quando algum enfermo crônico procura um médico é logo aconselhado a abandonar a “carne remosa”, o álcool etc., tudo o que a Palavra de Deus já prescreve há milhares de anos.


Por que a Bíblia proíbe comer o sangue? Por causa da sua elevada toxicidade, provocada pela albumina, um dos seus componentes. A Bíblia não recomenda o álcool e outros hábitos que a ciência hoje condena como perniciosos à saúde. Ora, se hoje a ciência reconhece o malefício que pode ser causado pelo uso de tais coisas, não o há de saber o próprio Criador? Certamente que sim e esta é a razão de ter estabelecido estas leis.


O Senhor é categórico em Suas determinações a este respeito: “Fareis pois diferença entre os animais limpos e imundos, e entre as aves imundas e as limpas, e as vossas almas não fareis abomináveis por causa dos animais, ou das aves, ou de tudo o que se arrasta sobre a terra, as quais coisas apartei de vós, para tê-las por imundas” (Levítico 20:25). “Não façais as vossas almas abomináveis por nenhum réptil que se arrasta, nem neles vos contamineis, para não serdes imundos por eles; porque Eu sou o Senhor vosso Deus; portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque Eu Sou Santo, e não contaminareis as vossas almas por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra” (Levítico 11:43-44). E completa, o Senhor: “E ser-me-eis santos, porque Eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos para serdes Meus” (Levítico 20:26).


É bastante improvável que o Senhor Deus dos Exércitos, infinitamente sábio e justo, tenha estabelecido estas proibições por mero capricho e que não visasse com elas um objetivo prático. É claro que o propósito do Senhor, infinitamente misericordioso, era proteger os Seus filhos, preservando-lhes a saúde através desses conselhos.


Enquanto o povo de Deus foi obediente aos Seus conselhos, “entre as suas tribos não houve um só enfermo” (Salmo 105:37). Entretanto, com o passar dos séculos, muitos se esqueceram dos conselhos do Senhor. A miséria e a doença sobrevieram como conseqüência do afastamento desses princípios e nunca o mundo testemunhou tantas doenças como nos dias atuais.


As leis de saúde permanecem em vigor ainda hoje, porque o homem não mudou a sua natureza e ainda está sujeito às conseqüências danosas da transgressão.


A fermentação provocada pela glutonaria ou pela combinação indevida de diversos alimentos tem a mesma conseqüência nociva e os mesmos efeitos da ingestão de bebidas alcoólicas. A este respeito bem esclarece a Palavra de Deus: “Bem-aventurada tu, ó terra, cujo rei é filho dos nobres, e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças, e não por bebedice” (Eclesiastes 10:17).


Os conselhos e advertências de um Deus que Se preocupa com a saúde de Seus filhos são considerados com indiferença pela maioria. Muitos, buscando pretextos para a sua falta de coragem para renunciar ao mal, não deixarão de colher os resultados certos de sua ingratidão e desobediência.


O próprio Senhor afirma: “Estendi as Minhas mãos todo o dia a um povo rebelde, que caminha por caminho que não é bom, após os seus pensamentos; povo que Me irrita diante da Minha face de contínuo, sacrificando em jardins e queimando incenso sobre tijolos; assentando-se junto às sepulturas, e passando as noites junto aos lugares secretos; comendo carne de porco, e caldo de coisas abomináveis em seus vasos” (Isaías 65:2-4).


Para os que imaginam que estas advertências se destinam apenas a um povo no passado, a continuação da Palavra de Deus aponta ainda para o futuro, para o tempo do “Dia do Senhor”, o dia da vinda de Jesus: “Porque com fogo e com a Sua espada entrará o Senhor em juízo com toda a carne; e os mortos do Senhor serão multiplicados; os que se santificam e se purificam nos jardins uns após outros, os que comem carne de porco e a abominação, e o rato, juntamente serão consumidos, diz o Senhor” (Isaías 66:16).


Todos os patriarcas e profetas antes de Cristo e os apóstolos e cristãos primitivos jamais contaminaram o seu corpo – templo do Espírito Santo – com carne de animais que o Senhor lhes vedara através de Sua Palavra.


Daniel foi grandemente honrado por Deus, por manter-se fiel aos Seus princípios, renunciando à farta mesa real, para não se contaminar com os manjares do rei. Escolhendo um regime simples e saudável, à base de verduras e cereais, sua saúde foi destacada da dos outros jovens nas suas condições e foi alçado por Deus, por sua fidelidade, ao mais alto cargo de sua época: o de primeiro-ministro de dois impérios de extensão mundial. E isto, mesmo na condição original de estrangeiro e cativo.


Também o profeta Ezequiel e o apóstolo Pedro, quando provados pela própria Palavra do Senhor, deixaram preciosas lições. Eis as suas experiências e reações: “Então disse eu: Ah! Senhor, Senhor! Eis que a minha alma não foi contaminada, porque nunca comi coisa morta, nem despedaçada, desde a minha mocidade até agora; nem carne abominável entrou na minha boca” (Ezequiel. 4:14).


Sendo mostrado a Pedro, em visão, um lençol atado pelas quatro pontas, contendo diversos animais considerados “comuns” ou “imundos”, foi-lhe ordenado que os matasse e comesse. A resposta de Pedro foi, também, firme, decidida e positiva: “De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum ou imunda” (Atos 10:14). Por três vezes foi-lhe dada esta ordem e por três vezes ele se recusou a obedecê-la.


É interessante notar-se que Pedro conviveu com Jesus durante três anos e meio, alimentando-se da mesma comida do Mestre. Pela sua resposta à ordem estranha e inusitada, pode-se ter a certeza de que Jesus jamais teve em Sua mesa, também, tais tipos de comida. Então, qual o propósito de tal ordem, que muitos indevidamente consideram como uma sanção ou autorização de Deus para se comer qualquer tipo de comida, mesmo às proibidas por Sua Palavra?


A razão disto é a incorreta aplicação da resposta que a mesma voz lhe dizia: “Não faças tu comum ao que Deus purificou” (Atos 10:15). E isto se verificou por três vezes, repetimos, e o lençol foi recolhido ao céu, sem que o agora obediente Pedro obedecesse à determinação que lhe fora dada. Portanto, somente os que não desejarem enxergar é que não verão o claro propósito de Deus, na análise do contexto referido, expresso no décimo capítulo do livro de Atos dos Apóstolos.


Ora, todos os povos estranhos à nação judaica eram considerados, por ela, “comuns” ou “imundos”, sendo-lhes proibido pela sua tradição o misturar-se com qualquer “gentio” ou “estrangeiro”, e mesmo entrar em suas casas. A mensagem do Evangelho Eterno, entretanto, abrangia toda a humanidade. Ao chamar Abraão – o Pai da Fé – para a sua missão, o Senhor lhe afirmara que “nele serão benditas todas as nações da Terra” (Gênesis 18:18).


Esta promessa foi repetida a seu filho Isaque: “Em tua semente serão benditas todas as nações da Terra” (Gênesis 26:4) e confirmada a seu neto Jacó ou Israel, de forma ainda mais abrangente: “na tua semente serão benditas todas as famílias da Terra” (Gênesis 28:14). A semente referida ou a sua descendência era o nascimento de Jesus, o Messias e Salvador. No entanto, esta mensagem somente era pregada, então, aos judeus (Atos 11:19).


Pedro ficara intrigado e duvidoso acerca da visão. “E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: eis que três varões te buscam. Levanta-te, pois, e desce, e vai com eles, não duvidando; porque Eu os enviei” (Atos 10:19 e 20). Ao chegar em casa do centurião Cornélio, cidadão romano – gentio – mas homem íntegro e temente a Deus, Pedro disse a todos que lá se tinham ajuntado para esperar e ouvir a mensagem do Evangelho: “Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo”. “E, abrindo Pedro a boca, disse: reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas, mas que Lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, O teme e obra o que é justo” (Atos 10:28, 34 e 35).


Ele conclui que todos os que crerem em Jesus, que por Deus foi constituído Juiz dos vivos e dos mortos, segundo o testemunho de todos os profetas, receberão o perdão dos pecados pelo Seu nome (Atos 10:42-43). Quando os demais apóstolos souberam que Pedro entrara em casa de estrangeiros “incircuncisos” e que comera com eles, ficaram chocados e mesmo indignados. E isto, depois do derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes.


Então Pedro lhes relatou a experiência de Cornélio, quando “os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios” (Atos 10:45). Então, “ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, glorificaram a Deus, dizendo: na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida” (Atos 11:18). Somente após este acontecimento, então, é que o Evangelho foi pregado a todos os homens e nações, indiscriminadamente, tendo sido quebradas todas as formas de preconceito.


Existem vários textos dentre os escritos de Paulo que, aparentemente, tornam controversa esta questão, parecendo anular os conselhos contidos na Palavra de Deus a respeito da alimentação correta, dos hábitos saudáveis e das carnes proibidas, abomináveis ou “imundas”. Se as Sagradas Escrituras têm um único Autor – Deus – através do Espírito Santo, não se pode conceber que elas se contradigam ou que um Deus que não muda (Malaquias 3:6) e que é infinitamente sábio venha a modificar, por alguma razão, princípios ou valores que tenha estabelecido. A explicação existe e é lógica. Todos os textos, sob questão, foram escritos pelo apóstolo Paulo, dirigindo-se a novos conversos de igrejas recém-estabelecidas.


O próprio Paulo havia sido criado sob os mais rígidos e ortodoxos princípios da religião dos hebreus. Era ele, segundo suas próprias palavras, judeu, criado aos pés de Gamaliel – conhecido por sua sabedoria e severidade – instruído conforme a lei, zelador de Deus e, desde a mocidade, pertencente à mais severa seita de sua religião, a dos fariseus. Portanto, parece bastante improvável que Paulo pretendesse sancionar aos novos conversos hábitos que ele mesmo não praticava e que eram proibidos por Deus, através de Sua Palavra.


Então como se explicam textos como: “Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem perguntar nada, por causa da consciência. Mas se alguém vos disser: isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência (...) Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro (...) E, se eu com graça participo, porque sou blasfemado naquilo por que dou graças? Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Coríntios 10:25 e 27-31).


É bastante significativo o que o apóstolo escreve imediatamente antes: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (verso 23). E o que ele aconselha imediatamente depois do texto em questão: “Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo” (I Coríntios 11:1).


Em momento algum Paulo estava se referindo a comidas que eram proibidas pelas Sagradas Escrituras, porque em seu tempo, de maneira alguma, absolutamente, se cogitava comer as comidas que Deus proibira e que são mencionadas em Sua Palavra. Paulo tratava das comidas que eram sacrificadas aos ídolos, como se depreende do texto anteriormente mencionado. Veja-se a comparação com os judeus: “Vede a Israel segundo a carne: os que comem os sacrifícios não são porventura participantes do altar?” (I Coríntios 10:18).


Segundo o antigo sistema de ofertas e sacrifícios que prefigurava o sacrifício de Jesus, o ofertante comia parte do que era oferecido. E Paulo se referia ao costume profundamente enraizado nas nações idólatras, de sacrifícios aos seus ídolos e deuses, contrafazendo o verdadeiro sacrifício estabelecido por Deus. Eis a seqüência do que Paulo escreve: “Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios” (versos 18 a 20).


Por se tratar de assuntos da mesma natureza, julgamos apropriado comentar vários textos conjuntamente, como aquele em que Paulo instrui a respeito da tolerância que se deveria ter com os novos conversos e com os que eram fracos na fé.


Ensina o apóstolo: “Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contenda sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por Seu”. “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”. “Porque o reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. “Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça” (Romanos 14:1-3, 14-15, 17, 20-21).


Sobre a mesma questão ele ainda escreveu: “Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada” (I Coríntios 8:7). E ele conclui, esclarecendo de maneira contundente este assunto: “Pelo que, se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão se não escandalize” (verso 13).


Portanto, a lição que Paulo pretendeu ensinar àqueles que outrora pertenceram a outros cultos e a outra fé e que tinham aceito o Evangelho Eterno, a fé no Salvador crucificado, torna-se bastante clara: a questão não era sobre a natureza dos alimentos, mas se poderiam ser comidos se tivessem sido ou não oferecidos aos ídolos.


Tal assunto tornou-se tão polêmico em seu tempo que foi motivo de uma assembléia em Jerusalém, da qual participaram os apóstolos e todos os anciãos, para ser tratado em conjunto com outros, relativos às dúvidas com respeito aos ritos antigos (Atos 15:1-34). A decisão, sancionada pelo Espírito Santo foi a seguinte: “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação...” (Atos 15:29).


Sob esta luz torna-se perfeitamente claro todo o contexto e mostra-se a perfeita harmonia de toda a Palavra de Deus. Então, pode-se resumir os objetivos que Paulo buscava: fortalecer os novos conversos e os que eram fracos na fé, para que não desanimassem com as dúvidas e as cargas que se lhes queriam impor; mostrar a todos que os ídolos nada significavam, assim como as comidas que lhes eram sacrificadas.


As pessoas solidamente firmadas na fé não hesitariam em comer qualquer tipo de carne ou outro alimento que se lhes oferecesse ou que existisse em açougues, desde que estivessem em harmonia com os princípios aprovados por Deus. E mais do que isso, Paulo se preocupava sobremaneira em que não fosse alguém causa de escândalo ou de mau exemplo para pessoas que não compreendessem completamente o assunto e que por isso poderiam ser desviadas dos princípios ensinados.


Seria o caso hoje, por exemplo, de alguém comer batatas-doce oferecidas nas fogueiras de São João, ou doces oferecidos em comemoração à festa de Cosme e Damião. Seria isto pecado? Certamente que o débil na fé não comeria, mas aquele que é forte saberia que isto nada significa e que nenhum mal nisto haveria, dando graças a Deus. Certamente que dele comeria desde que não fosse causa de escândalo para alguém que não pudesse, ainda, compreender o seu perfeito sentido.


O primeiro concílio, em Jerusalém, já mencionado, sancionou outros princípios das leis de saúde, como a proibição da ingestão de sangue, através das iguarias que o tivessem como ingrediente ou das carnes sufocadas. Isto, porque para que o sangue não permaneça no corpo do animal morto, é necessário que ele seja degolado.


Finalmente Paulo conclui de maneira absolutamente inquestionável os seus ensinamentos, afirmando que o homem regenerado pela fé em Cristo é o templo do Espírito Santo, como escreveu: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (I Coríntios 3:16-17). “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Coríntios 6:19-20).


E mais: “Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: neles habitarei, e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (II Coríntios 6:16-18).


O verdadeiro arrependimento é uma decidida renúncia do mal e conduz o pecador penitente e perdoado a uma nova vida de obediência. Cabe a cada um consultar ao seu coração, consciência e razão e discernir sinceramente se acredita que as leis de saúde inspiradas e determinadas por Deus aos Seus filhos foram anuladas ou se estão, ainda, em vigor. É importante que se saiba que toda a verdade voluntariamente rejeitada, ao invés de salvar, condena. É a blasfêmia contra o Espírito Santo, o pecado imperdoável. O único pecado que não é perdoado é aquele que não reconhece a falta e a necessidade de arrependimento e de perdão. É a rejeição da verdade que se mostra à alma, através da influência do Espírito Santo.




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